
Em uma mesma semana, enquanto alguns dos mais proeminentes pastores/políticos do país lideravam um protesto nas casas legislativas, o influencer paranaense Felca publicava um vídeo de grande relevância. Nele, o criador de conteúdo denunciava a adultização e a exploração da imagem de crianças nas redes sociais, que visam gerar lucro para influenciadores e grandes empresas de tecnologia, causando um prejuízo inestimável para os menores.
Não se pode negar o papel histórico e contínuo da igreja no socorro a crianças. Contudo, a adultização infantil no ambiente religioso também não é novidade. Recentemente, um adolescente que imitava trejeitos de pregações pentecostais com um inglês “macarrônico” viralizou, gerando memes, risadas e, é claro, dinheiro.
O que realmente incomoda é a igreja política do Brasil. Essa parcela da religião que se apropria de seu poder e influência para tomar o poder, alimentando uma busca insaciável por mais. Essa bancada, que ocupou o poder sem qualquer compromisso com a causa do Evangelho de Cristo, usa a retórica religiosa apenas para exercer seu projeto de dominação.
Felca se identifica como cristão, embora sem filiação a uma denominação específica, mas a fé não é o tema central de seu trabalho na internet. Ele é um influenciador de entretenimento que, mesmo ganhando dinheiro na internet, não se importou em denunciar as plataformas que monetizam seu trabalho, assumindo os riscos. Enquanto isso, a igreja institucional parece ter no poder seu único compromisso.
Por que, hoje, a cara do combate ao abuso infantil é a de um influencer que arriscou seu nome e sua profissão, enquanto ao pensarmos nas figuras mais vis e repugnantes da política brasileira, invariavelmente, nos deparamos com um pastor ou uma igreja?
Aplicando a advertência de Jesus em Mateus 25:35-40, não tenho a menor dúvida de que Jesus olha para o impacto da ação do Felca como o bem feito a Ele mesmo. E também não tenho dúvida que ele olha para os fariseus que ocupam nosso congresso e diz “não vos conheço, afastem-se de mim”.
Texto por Hernani Medola.
