uma cela após a outra


Recentemente, vi um vídeo de um homem contando que havia sido abordado por uma senhora crente que insistia que Deus estava mandando ela orar por ele. Depois de muito resistir, ele disse que acabou cedendo, e a mulher então fez sua oração.

Só que, nessa oração, a senhora fazia diversas insinuações sobre ele estar endemoniado, precisar ser liberto, etc. O homem afirmou, então, que essa experiência fez muito mal a ele, que o fez rememorar diversos traumas que teve antes de conseguir se libertar da religião, e concluiu o vídeo rancoroso, dizendo que está difícil respeitar os crentes.

Sempre que ouvimos alguém dizer que abandonou a religião, nossa reação natural é de aversão. Causa desconforto ouvir alguém dizer que deixou a religião, sobretudo se a pessoa demonstra estar feliz após esse abandono. Mas esse estranhamento não é justificado, porque a liberdade da religião é uma das boas notícias do evangelho de Jesus.

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês.” (Mt 23:15). O que Jesus está dizendo é que a proposta dos religiosos não salva, não liberta; portanto, não é suficiente, muito menos desejável.

Na situação vivida pelo rapaz do vídeo, havia duas pessoas presas: uma pela religião e outra pelo seus traumas, seu ressentimento, seu rancor, se ego.

Não é raro ouvir que é melhor estar na igreja do que “no mundo”, e eu, sem demagogia, entendo! “É melhor o fedor de dentro da arca do que estar morto do lado de fora.” Pais acreditam que prender os filhos na igreja os livra de todos os perigos do mundo, e eu, com certeza absoluta, também prefiro meus filhos na igreja. Só não podemos cair no erro de achar que isso é o evangelho de Jesus, porque não é.

Não é liberdade sair de uma cela precária e fedorenta para uma cela premium com ar-condicionado. “Ser melhor” não é suficiente.

“Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres.” (Jo 8:36).

Texto por Hernani Medola.

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