As pessoas têm o direito de amar ou rejeitar Jesus por quem Ele é, e não pelo que dizem d’Ele


É provável que existam pessoas que você gostaria de conhecer pessoalmente. Algum artista, influenciador ou personalidade que você admira e por quem daria muita coisa para se aproximar e realmente conhecer. Da mesma forma, muito provavelmente há pessoas que você prefere não conhecer, seja pelo motivo que for.

E, ao conhecer essas pessoas, é bem provável que seus pré-conceitos fossem frustrados, positiva ou negativamente. Ao se relacionar com elas, você seria realmente capaz de dizer se as admira ou rejeita, não pelo que ouviu falar, não pelo que mostram na internet, mas por quem elas são de fato.

A proposta de Jesus nunca foi se relacionar conosco por meio de intermediários. No Evangelho, não há mais lugar sagrado, sacerdotes especiais ou rituais específicos. Todo lugar é santo, todos somos sacerdotes. O véu se rasgou, o Espírito Santo nos foi dado e, por meio do sacrifício de Jesus, todos — indistinta e incondicionalmente — têm acesso a Deus: Ele quer se relacionar conosco pessoalmente.

É claro que esse relacionamento se desenvolve de diversas formas: na oração, na leitura da Bíblia, no nosso relacionamento com a igreja. Vamos, passo a passo, conhecendo e tendo nossos pré-conceitos sobre quem Deus é e como Ele age frustrados. Afinal, antes O conhecíamos apenas “de ouvir falar”; é andando com Ele que O conhecemos de verdade.

A questão está justamente nesse estágio anterior: o ouvir falar. Quem hoje conhece Jesus apenas de ouvir falar, o que pensa d’Ele? Quando as pessoas observam aqueles que dizem conhecer Jesus pessoalmente e, mais ainda, afirmam agir em nome d’Ele, o que elas pensam?

Escrevendo aos coríntios, Paulo diz: “Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações” (2 Co 3:3). Citando Isaías, o mesmo Paulo escreve aos romanos: “Pois, como está escrito: ‘O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês’” (Rm 2:24). E o próprio Jesus disse "Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe seria amarrar ao pescoço uma grande pedra de moinho e afogar-se nas profundezas do mar" (Mt 18:6). Assumir o nome de Jesus é uma imensa responsabilidade, pois é por meio de nós que as pessoas ouvirão falar de Cristo e desejarão - ou não - conhecê-Lo pessoalmente.

Há um ditado, quase uma piada, que diz : "Jesus é legal; o que estraga é o fã-clube". A questão é que muitos de nós, tanto de dentro quanto de fora desse "fã-clube", não amamos ou rejeitamos Jesus por quem Ele realmente é, mas pela ideia que fazemos d'Ele. Seja a rejeição, motivada pelo mau testemunho de muitos que levam o nome de "cristãos", seja uma aceitação baseada não em quem Ele é, mas no que Ele pode oferecer.

A reflexão, então, é esta: olhando para Jesus, Sua vida, Seus ensinamentos e Sua história, sou levado a amá-Lo ou rejeitá-Lo? E não se engane: rejeitar Cristo é totalmente possível. Muitos o rejeitaram mesmo tendo-O fisicamente perto - vendo-O, tocando-O e ouvindo-O pessoalmente. Seja por amor aos bens, à própria vida, ao poder, à religião ou por não acreditarem que Sua mensagem subversiva e pacífica fosse uma alternativa às conjunturas de seu tempo. E tá tudo bem. O próprio Jesus não forçou ninguém a ficar.

É justo amar ou rejeitar Jesus pelo que Ele é. Errado é amá-Lo ou rejeitá-Lo pela imagem que construímos ou pelo que os outros dizem d'Ele.

Texto por Hernani Medola.

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