Ruptura (a melhor série do momento) tem como premissa uma tecnologia que permite a separação entre a consciência no trabalho e fora dele. Ou seja, um corpo com duas personas distintas, que não possuem outra conexão além de dividir o mesmo corpo.
Quando o pecado entra no mundo, algo semelhante acontece. Há uma ruptura entre quem somos e quem nos tornamos. Uma separação entre nossa identidade e nossa condição.
Somos feitos à imagem e semelhança de Deus, criados para viver em comunhão com Ele. Essa é a nossa identidade, o nosso “externo”. Somos plenamente quem realmente somos quando estamos n’Ele. O pecado gera a separação, a ruptura, e nos tornamos outra pessoa, separada da original — o nosso “interno”.
Essa nova identidade carrega em si algo que muitas vezes não entendemos: um desejo, uma memória de algo que nunca vivemos conscientemente, e um anseio de viver além das limitações impostas pela nossa atual condição. A vida interna não é suficiente, pois ela não revela plenamente quem somos. Mesmo que não compreendamos completamente, sentimos que falta algo.
Paulo diz em 2 Coríntios 5:18: “tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação”. A reconciliação com Cristo é a nossa reintegração. O Espírito Santo nos reconecta com quem fomos criados para ser, nos tornando inteiros novamente. Ele acaba com a crise que assola seres incompletos. Como escreveu Santo Agostinho em suas Confissões: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti”.
O conflito surge porque, para assumir integralmente essa realidade externa, nosso “interno” precisa, na prática, morrer. “Já não sou mais eu quem vivo…” (Gálatas 2:20). Assumir essa nova identidade exige coragem para abandonar a velha identidade que aprendemos a amar. “Quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la” (Mateus 16:25).
Um detalhe importante é que uma das ferramentas para controlar o interno é a religião. E um dos caminhos para se reconectar e se reintegrar é superar os dogmas impostos por uma religião criada para te manter dentro da conformação interna. Mas isso é assunto para outro post…
Texto por Hernani Medola.

