Família em Conserva

Hoje em dia, a coisa que o irmão mais tem orgulho de bater no peito e gritar é: “Eu sou conservador!” O varão fala isso ajeitando a gravata, com aquela postura de quem acabou de defender a moral e os bons costumes no grupo de WhatsApp da família.

Conservar coisas boas não é ruim! Eu mesmo sou super a favor do conservadorismo em várias áreas. Sou a favor de conservar o restinho do salário até o fim do mês (um milagre que eu busco), de conservar o hino tocado no compasso certo sem virar remix eletrônico… Tem muita raiz da nossa fé e da nossa sociedade que precisa, sim, ser guardada e protegida com carinho.

O problema, meus amados irmãos, é quando a pessoa esquece a etimologia da prática e foca só na embalagem. O crente enche a boca pra dizer “Eu sou conservador”, mas ele parou pra pensar no que é, literalmente, uma conserva? Pega lá um pepino, soca dentro de um pote de vidro apertado, afoga num litro de vinagre, joga sal Grosso, tampa e tranca num armário escuro por seis meses.
O resultado? Fica lá, azedando. Perdendo a validade…

Tem muito irmãozinho “conservador” que, espiritualmente falando, virou exatamente isso: um pepino azedo no vidro de vinagre! O sujeito fica enrugado, amargo, preso num mundinho fechado onde não entra ar fresco. Ele acha que tá preservando a “pureza da doutrina”, mas a verdade é que o cheiro de acidez tá tão forte que ninguém aguenta ficar dois minutos perto dele sem ter azia!

Jesus mandou a gente ser o sal da terra e a luz do mundo. Ele não mandou a gente ser o vinagre da igreja e o formol da vizinhança.

É bom conservar? É ótimo. Vamos conservar a graça, vamos conservar o amor, o respeito e a paciência com o próximo. Mas se for pra passar a vida inteira trancado num pote de religiosidade só azedando a alegria dos outros… olha, meu irmão, eu prefiro ser a barraca da feira. Sou perecível, duro pouco, mas pelo menos chego fresco e adoço a vida de quem passa!

Texto do debochado Profeta Erezias.

Posted in Artigos and tagged , , , , , .