Igreja e Política | Ampulheta 44

Meu nome é Giancarlo Marx e hoje eu vou falar sobre o tema Igreja e Política.

Imagem de fundo com uma ampulheta em preto e branco. Na frente o nome do podcast (Ampulheta) escrito em laranja e cercado por um quadro também em laranja. No canto superior esquerdo, está escrito "44", referente ao número do episódio. No canto inferior direito está escrito o título do episódio: Igreja e política? Abaixo do título do episódio está escrito o nome do autor: Giancarlo Marx.

Esses três assuntos não se discute: futebol, política e religião.

Quem nunca ouviu ou nunca falou essas palavras? Geralmente o dito popular é a saída estratégica quando o papo está acalorado e as paixões afloradas demais. Quando o debate começa a debandar para ofensas e até agressões físicas.

Bom, dessa vez vou deixar o futebol no banco pra falar de uma relação que tem se intensificado nesses nossos dias. A relação incestuosa entre a fé religiosa e a fé política.

Em 2020, nas eleições municipais, 8,7 mil candidatos adotaram títulos religiosos nas urnas. Pastor, irmão e bispo são os preferidos dos políticos. Essa tendência reflete um ambiente propício ao chamado “voto de cajado”, onde igrejas locais, denominações e até conselhos regionais de pastores declararam apoio a partidos e candidatos.

Há quem justifique essa invasão de religiosos na política citando o apóstolo Paulo:

“Todos devem sujeitar-se às autoridades, pois toda autoridade vem de Deus, e aqueles que ocupam cargos de autoridade foram ali colocados por ele. Portanto, quem se rebela contra a autoridade se rebela contra o Deus que a instituiu e será punido.” – Romanos 13:1,2.

À luz deste texto fica claro que a autoridade política do Estado é outorgada por Deus. De fato R. C. Sproul desenvolve este tema em seu livreto “Qual é a Relação entre Igreja e Estado?”, da editora Fiel.

“Qualquer autoridade que eu tenha, em alguma área da minha vida, é autoridade derivada, designada, delegada. Não é intrínseca, mas extrínseca. É dada por Aquele que possui autoridade inerente”.

Nós, como cristãos, partimos do princípio que toda autoridade vem de Deus, e ele a concede a seres humanos e instituições humanas. Essa autoridade nunca pertence ao homem, mas é confiada temporariamente a ele pelo próprio Deus. O Estado é apenas uma dessas esferas de autoridade. É a chamada autoridade do uso da violência.

É o Estado quem determina se eu posso ou não atravessar a rua, dirigir um carro ou tomar banho no chafariz da praça. Também é o Estado quem impõe punições a quem desobedece suas regras (por isso Paulo diz que quem se rebela contra ele será punido). Esse poder estatal o autor vai chamar de “poder da espada”.

Mas e a igreja? Esta tem o “poder das chaves”.

“Eu lhe darei as chaves do reino dos céus. O que você ligar na terra terá sido ligado no céu, e o que você desligar na terra terá sido desligado no céu”. – Mateus 16:19

Esta declaração de Jesus a Pedro (o primeiro que teve a revelação de quem ele era) em seguida foi estendida a todos os discípulos, em Mateus 18:18. A autoridade da Igreja não consiste na violência, mas sim na administração da palavra. Trata-se de uma autoridade espiritual.

Ao longo de nossa história, essas duas autoridades vivenciaram uma relação permeada de intersecções que eu chamaria de equivocadas. Hora quando uma tenta interferir na esfera de atuação da outra – quando, por exemplo, um governo diz o que se pode ou não pregar na igreja – , hora quando flertam entre si – como é o caso dos políticos que usam títulos religiosos como emblemas de autoridade para o exercício do cargo público. Em ambas as formas, tal intersecção fere o princípio da autonomia dessas esferas de poder.

É de se esperar que o Estado, muitas vezes negando que sua autoridade seja divinamente outorgada, cometa esta infração. Mas o que dizer quando cristãos, conhecedores da Bíblia e até mesmo líderes religiosos se posicionem em conflito com esta premissa bíblica?

Não há dúvidas que o cidadão cristão tem total liberdade para militar e se manifestar politicamente. Candidatar-se, fazer campanha e defender sua compreensão ideológica. Pressionar políticos a agirem do modo que ele, como cidadão, acredita ser o correto. Vivemos numa democracia, e é isso que se espera de todos aqueles interessados no bem comum. Porém o cristão, quando o faz, não o faz em nome da Igreja. Uma vez que esta tem sua própria esfera de autoridade. Faz em nome de si. E com a autoridade que tem como cidadão. Nada mais.

Encerro aqui com mais um trecho do livreto do Sproul:

“O Reino de Deus não é edificado por decreto da parte de um imperador ou pela força de um exército. É edificado por um único meio: a proclamação do evangelho. Este é o poder que Deus ordenou para edificar a igreja – não o poder da espada – e, como cristãos continuaremos a colocar nossa esperança neste poder e somente neste poder”.

Amém.

Um forte abraço e até o próximo Ampulheta.

PARTICIPANTES:
– Giancarlo Marx

COISAS ÚTEIS:
– Duração: 06m43s
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Todos os “Ampulheta”

CITADOS NO PROGRAMA:
Matéria jornalística com os dados sobre uso de “termos religiosos” nos nomes de candidatos
Romanos 13:1 e 2
Livro “Qual é a Relação Entre Igreja e Estado?” de R. C. Sproul
Mateus 16:19

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