Aprendendo a Ser Igreja com a História da Bossa Nova | Ampulheta 11

Tenho uma amiga muito querida chamada Silvia Marcondes. Ela é uma daquelas cariocas bem nascidas, educada em colégio inglês, criada em mansões, politizada, capaz de discutir sobre quase qualquer tema que a conversa exigir. Resumindo, ela é exatamente o oposto de mim.

Além disso é filha de Enio Silveira (um ricaço que ousava publicar livros comunistas no Rio de Janeiro em pleno auge da ditadura militar).

Silvia foi uma espécie de mentora no início da minha carreira de jornalista. E em nossos bate-papos casuais, cansou de me contar como viu a Bossa Nova nascer nas teclas do piano que ornamentava a sala de sua casa. Seus pais não eram músicos e nem seus irmãos. O piano era uma cortesia que o senhor Enio preparava para receber amigos como Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão, João Gilberto, Baden Powell, entre outros jovens promissores.

Isso foi no final da década de 50, exatamente quando um grupo de amigos cansados da pobreza cultural da época começaram a compor música com temática brasileira inspirada no jazz norte americano.

Aqueles jovens da classe alta viviam em apartamentos, não raras vezes sustentados pelos pais. E, exceto pelas ocasiões em que se encontravam na mansão onde morava minha amiga Silvia, suas canções eram entoadas bem baixinho, para grupos de cinco ou seis amigos. Daí o jeitão de cantar sussurrando, que apareceu logo na primeira gravação do “Desafinado” João Gilberto.

O que no início aparentava ser uma limitação acabou se tornando o charme da Bossa, e uma identidade que acabou conquistando o mundo.

Alguns anos atrás (e eu não vou dizer quantos) eu conversava com alguns irmãos sobre a necessidade de manifestarmos o Reino em nossa vida quotidiana, dentro de nossas casas e à vista de nossos familiares. Então fui obrigado a ouvir de um irmãozinho o seguinte: “Mas Gian, hoje nossa vida é corrida e não temos tanta privacidade assim. Nossos apartamentos são pequenos para reuniões caseiras, e não é possível nem cantar um hino que os vizinhos já reclamam. Orar em línguas então, nem me fale…”

Na mesma hora eu me lembrei de minha amiga Silvia Marcondes e da turma da Bossa Nova.

Pra eles o vizinho não era desculpa, mas também não era o diabo. Se o apartamento não comportava uma platéia de 20 pessoas, eles reuniam cinco. Se não podiam fazer barulho, eles cantavam baixinho. Não é à toa que tinham o respeito e admiração da alta sociedade carioca (que vivia nos mesmos prédios que eles).

Aqui vai uma pergunta retórica: será que temos o respeito dos vizinhos de nossos “templos”? Ou é melhor nos isolarmos em guetos cristãos a fim de termos um pouco de privacidade e “louvarmos” a Deus como nos convém?

Gosto muito da versão da Sociedade Bíblica Britânica para Colossenses 3:16

“A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria, instruindo e admoestando-vos uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão louvando a Deus em vossos corações.”

Uma leitura mais atenta nos revela que os salmos, hinos e cânticos espirituais não necessitam nem estar em nossos lábios (muito menos do outro lado da parede, impedindo o vizinho de assistir a novela ou o Fantástico), mas sim em nossos corações.

A Bossa Nova ganhou o mundo com um sussurro carregado de emoção. Com toda sinceridade, creio que o evangelho tem muito mais a oferecer. Mas pra experimentar isso talvez seja preciso primeiro nos despir dos palcos e dos holofotes. Abandonar os títulos e as formalidades. Tirar os sapatos e abrir a geladeira. Será que estamos dispostos a encarar esse nível de intimidade?

Bom, espero que esta mensagem tenha alcançado seu coração. Porque a mim ela toca profundamente e me desafia a ser mais que um personagem. Ela me chama para viver na liberdade pra a qual Cristo me libertou.

Que Deus te abençoe e até a próxima. Tchau!

PARTICIPANTES:
– Giancarlo Marx

COISAS ÚTEIS:
– Duração: 07m47s
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