Minha visão de ser crente segundo Romanos

Toda vez que alguém me perguntava se era crente, isso lá atrás, quando ainda o termo “crente” era sinal de respeito, de idoneidade, de honestidade, de fidelidade… eu respondia com um sonoro sim.
crente

Não era uma questão de orgulho, mas um sinal de que o chamado aos romanos, como está em Romanos 1:7, era verdadeiro… Chamados para sermos santos.

Paulo talvez não imaginasse de que Roma fosse replicada tantas vezes durante a história. Paulo o verdadeiro apóstolo (Rm 1:1-6), não esses aí que se apropriam de um apostolado herético e farisaico.
Hoje quando me perguntam isso novamente, eu sinceramente receio responder. Não que tenha perdido minhas convicções quanto a isso, mas o entendimento das pessoas mudou. A raça de víboras que prostituíram os púlpitos distorceu a realidade e o Evangelho, maculando a imagem de santidade, que hoje as pessoas não sabem direito que cara tem o crente.
Não sabem se o crente é daqueles que vestem chapéu de boiadeiro, ou se promovem através da feitiçaria gospel, com banho de descarrego e tantas outras campanhas sem noção.
Não sabem se o crente é daqueles que precisa comprar um bíblia de R$ 900,00 ou participar do $how para alcançar o sentido de ser abençoado e tocado por Deus.
As pessoas lá fora, do mundo gospel, começam a ter receio de que, se tornando “crente”, se tornará num bitolado religioso. Elas não querem isso, nem eu.
Pra mim… e você não precisa concordar com isso… crente é aquele que conhece o Evangelho como um sinal da Redenção de Deus para a humanidade, que Quer uma relação íntima, que Quer uma família, coesa e saudável.
Crente é aquele que acredita de que todos são indesculpáveis diante de Deus (Rm 1:20), mas que existe salvação para todos. Não fecha os olhos para o fato de que muito são os chamados, mas poucos são os escolhidos, mas não se fecha em grandes clubes sociais que se tornaram as denominações hoje. Paulo afirma em Romanos 3, de que tantos judeus como gregos estão todos debaixo do pecado, portanto uns não se julguem superiores ao outros. Crente é aqueles que se lembra de que sua salvação é fruto da justificação em Jesus e somente por isso, reconhece que suas obras apenas são em vão diante do sacrifício do Filho de Deus (Rm 4).
Crente de verdade é aquele que não caminha como gado, mas como ovelha que conhece a voz de Se Pastor. Que vive da Graça e não da Lei como preferem a maioria dos líderes de hoje (Rm 7:5-6). Muitos que são alcançados hoje são levados a acreditar que sua caminhada deve ser regida por uma série de regras que estão no tempo da Lei ou que foram editadas, com ressalvas, para que benesses sejam dadas a alguns poucos. Ma estes terão o que merecem, de Deus. (Rm 12:19)
 Crente pra mim é aquele que, apesar de sua essência pecaminosa, procura não se conformar com esse mundo, não se amoldar aquilo que o mundo produz. Crente é aquele que entende que somos muitos e que todos são conectados uns aos outros pelos seus dons (Rm 12:1-8).
Crente deveria ser aquele que sinaliza um Reino aqui e agora, que olha para o seu semelhante como irmão e que, portanto, estende a mão. Não aquele que olha apenas para o seu umbigo, para suas mazelas e para sua prosperidade (Rm 12:13-16).
Crente de fato é aquele que não se isenta da responsabilidade de zelar pelo bom andamento da igreja, que zela para que os recursos arrecadados sejam empregados corretamente e que não fecha os olhos para o desvio de dinheiro. Crente de fato não se conforma com o fato de alguns estarem amontoando patrimônio para si, enquanto muitos padecem de necessidades no banco ao seu lado. Paulo exorta Romanos (15:26-27) a levantarem recursos para os pobres entre os santos de Jerusalem… quantas vezes você já viu isso ocorrer na sua igreja e o recurso realmente chegar ao seu destino [interrogação].
Marcha
Creio que ser crente não é marchar pelas ruas de sua cidade, batendo no peito, declarando que ser crente é a melhor coisa do mundo. Ser crente seria marchar pelas ruas em sinal de protesto pela corrupção que está instalada nos arraiais evangélicos, nos currais políticos deste país. Marchar não para “determinar” a vitória sobre as trevas, mas para dar a cara a tapa para que realmente elas retrocedam e sejam vencidas. Marchar não para mostrar às pessoas que existe uma “classe eleita”, com camisetas e bandeiras de sua denominação, mas que independente de suas divergências doutrinárias… somos um. Pensamos e agimos em prol do mesmo objetivo. Não servimos de rebanho político para pessoas que nem crentes querem ser e para líderes religiosos que se metem em coisas que não foram chamados. Ou talvez foram chamados justamente para serem políticos e não para líderes religiosos.
Então hoje, quando me perguntam se sou crente, respondo com outra pergunta… que tipo de crente você conhece, pois dependendo disso eu não me considero um crente. Gosto de apenas me apresentar como alguém que procura ser um discípulo de Jesus. Que possui uma infinidade de limitações e pecados, mas que acredita que o Reino de Deus está aqui, agora e que, portanto, preciso manifestá-lo, doa a quem doer. Um discípulo, que assim como seu mestre, se indigna de ver o Evangelho do Senhor ser usado como desculpa para a comercialização da fé. E que, se for preciso, não teria o menor receio de colocar as barracas do templo no chão.
Isso é o que sou, apenas alguém no caminho em busca da Graça.
Bem, assim como Paulo me despeço dizendo…
“Ora, àquele que e poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos antigos, mas agora manifesto e dado a conhecer a todas as nações, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para conduzi-las à obediência da fé; ao único Deus sábio seja dada glória para todo o sempre, por meio de Jesus Cristo… Amém.” (Rm 16:25-27)
Sola Deo Gloria
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