Foto: André Durão
O drive-thru da oração funciona das 14h às 20h, de segunda a sábado. Aos domingos, missionários vão para a praia, onde fazem pregações itinerantes
De acordo com a Gerência de Informações de Tráfego da CET-Rio, órgão da Secretaria Municipal de Transportes, a Avenida das Américas recebe diariamente cerca de 134.750 veículos (média do movimento diário em dias úteis) em seu trecho mais movimentado. O fluxo mostra a importância do caminho, que é o principal para a circulação dos carros entre os bairros da Barra, Recreio dos Bandeirantes e Guaratiba, além de ligar seus moradores a outras localidades da zona oeste.
Por ser a principal – e mais movimentada da região –, a Avenida das Américas concentra significativa parte do comércio local. São mais de 20 centros comerciais como o Barra Shopping e New York City Center (o tal da Estátua da Liberdade) e ainda quatro hipermercados de redes nacionais e multinacionais, sem contar os grandes condomínios residenciais e comerciais.
Para chamar a atenção dos motoristas diante de tanto movimento, um grande cartaz com letras vermelhas anuncia o “drive-thru de oração”. A publicidade é reforçada por placas menores, com frases como a do início deste texto, instaladas nas calçadas bem próximas ao engarrafamento. Apesar do apelo visual, são os voluntários, boa parte jovens com idade média de 18 anos, que vão literalmente às ruas convencer os mais estressados de que seja qual for o problema, há salvação – se não para o trânsito, pelo menos para a angústia de ficar retido nele.
Foto: André Durão
Para chamar a atenção de uma das principais vias do rio de Janeiro, Universal conta com publicidade em letras garrafais
“Para com essa ideia, não tem isso de cobrar”
Há três meses à frente da Universal da Barra, o pastor Carlos, de 42 anos, afirma que o drive-thru de oração quer garantir a quem precisa um “momento de paz”. O serviço não é novo no Brasil, mas no Rio é inédito. Há dois anos foi implantado na filial da congregação na Vila Mariana, em São Paulo, depois de ser criado pela congênere da Califórnia (EUA). “As pessoas vivem na correria do dia a dia, sem tempo para nada. O que oferecemos é mais uma forma de comunicação com Deus”, explica o líder religioso. E nada de suspeitas de que a igreja cobra pelo socorro. Pastor Carlos garante: “Para com essa ideia, não tem isso de cobrar”.
Na última terça-feira (18), entre 19h e 20h05, 14 veículos fugiram rapidamente do trânsito colossal da Avenida das Américas em busca da palavra no drive-thru do templo. “É muito bom, a gente fica com o coração fortalecido depois de um dia cansativo. Saio com a certeza de que estou com Deus”, testemunha o motorista executivo Alexandre Lima, de 48 anos, que seguia para casa em Realengo (zona oeste), acompanhado da mulher, a administradora Solange Fernandes, e do filho Alessandro, de cinco anos.
Foto: André Durão
Carros em fila para receber a bênção. Pastor responsável pela igreja diz que atendimento chega a 100 por dia
Na cadeira de criança fixada no banco de trás do automóvel, o menino Alessandro foi ungido pelo pastor adjunto que pede para ser chamado apenas de Vinícius, embora não tenha se importado de ser fotografado. O garoto ficou quietinho durante a oração, que não dura mais de um minuto. Solange, também evangélica, mas seguidora da Igreja da Graça, apoiou o pit stop do marido. “Se 10% dos que estão nesse engarrafamento passassem por aqui, certamente ficariam mais tranquilos. A oração ajuda a pessoa a se sentir melhor”, afirma.
Rosas e azeite
Vinícius, pastor adjunto, é o responsável pelas orações no serviço drive-thru; com um cálice dourado e azeite de cozinha ungido, ele atende os fieis
Enquanto Vinícius ora, um “exército de Jesus” formado por uma tropa de sete voluntários se embrenha por entre os carros para distribuir “rosas consagradas” e jornais em formato tabloide editados pela congregação do Bispo Edir Macedo. Um táxi reduz a velocidade, mas não entra no drive-thru. “Aleluia, irmão”, grita o motorista, satisfeito com um exemplar do semanário que lhe fora entregue pela janela do veículo. Motoristas de vans e ônibus passam ao largo, mas não seguem a viagem sem parar para pegar a publicação. Passageiros dos coletivos abrem o vidro das janelas e, braços para fora, pedem um exemplar. Há os que recusam o papel, mas a tropa evangélica não se intimida com a rejeição.
Foto: André Durão
Voluntários distribuem jornais da Universal para atrair fiéis. A Defesa Civil registrou 301 acidentes na Av. das Américas em 2011, mas eles não temem riscos
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Mais uma vez a Crentassos Produções Subversivas prestam o serviço público de avisar aqueles que passam pelas imediações e incentivar a dar uma paradinha para uma oração rápida e certeira.
Já haviamos avisado na criação do serviço em São Paulo, agora é a vez doxxxssssss cariocas…
um abraço
Sola Gratia