
Penseiem como teria sido a vida daquele homem, suas realizações, suas lutas, seusfracassos, será que passara fome? Será que foi pai? Foi então que comecei a meperder em meus sentimentos: E se este homem fosse um alcoólatra que agredia suafamília? E se ele traia sua esposa com alguém (uso a expressão alguém porquehoje em dia pode ser com Homem ou Mulher)? E se este homem moribundo que estavaali deitado inerte e sofredor fez algo horrível em sua vida? Algo quedesmerecesse o que estava sentindo por ele. Sei que um princípio básico docristianismo é não julgar, mas nos machucamos tantas vezes na vida poracreditar nas pessoas que esse reflexo de defesa passa a ser instantâneo esempre que isso ocorre acabo me fechando ao toque do Espírito Santo e fazendoexclusivamente meu trabalho. Não me entenda mal, não trato mal a ninguém. Façopior que isso: Não o trato bem!
Fazemosisso em nossa vida diariamente com mendigos, prostitutas, viciados,homossexuais e até com políticos. Olhamos para os frutos acreditando ter plenoconhecimento da árvore. Vemos o resultado errôneo na prova sem sequerprocurarmos na descrição do raciocínio o que aconteceu para que o resultado nãoatendesse ao esperado. Consideramos que ao conhecer a ideologia de alguémpodemos julgar seu caráter.
Quandocomecei a pensar desta maneira deformada sobre aquele pobre homem resolvi darum basta na situação pensando: “Não interessa a vida que este homem teveninguém merece morrer assim!”. Em poucos segundos comecei a sentir um amor tãogrande por aquele homem que cheguei a pensar que antes fosse eu do que ele naqueleleito. Acho que naquele instante, naquela solitária sala de UTI durante amadrugada fria e desligado dos ruídos do mundo finalmente ouvi o Espirito Santoque, sem se interessar com minha vida pregressa ou meus pensamentos decondenação resolveu me tocar.