“vivos mortos” ou “como seria a morte se não houvesse pecado?”


Há alguns meses, um ativista americano foi assassinado. Instantaneamente, mergulhamos nos posts cruzados entre os que lamentavam sua morte e os que comemoravam ou expunham que ele havia morrido em consequência da violência que pregava.

Há alguns dias, uma operação policial no Rio de Janeiro deixou mais de 100 pessoas mortas e, novamente, nos vimos nesses posts cruzados — talvez com os lados se invertendo: quem antes lamentava a morte agora comemora; quem antes comemorava a violência agora é tomado pelo senso de valor da vida.

Vida olhada sob o prisma da vantagem ou da estatística. Vida resumida ao quanto ela pode valer para a minha própria causa. A vida tomada apenas como objeto, como argumento.

Você já pensou sobre como seria a morte se não houvesse pecado? Acredito que a morte que entrou na humanidade a partir do pecado não se refere simplesmente ao fim da vida biológica, mas a uma degradação desta a ponto de violar sua santidade. A morte não entrou no mundo a partir do assassinato de Abel, mas a partir da forma como Adão e Eva passaram a viver quando se desconectaram de Deus. Se quem crê em Cristo, “ainda que morto viverá” (João 11:25), fora dEle, ainda que vivos, estamos mortos.

O Deus que encarna disposto a vencer a morte violenta é o responsável pelo milagre de arrancar do nosso coração o pecado de olhar para a vida pela sua utilidade, pelos méritos de quem merece ou não merece viver ou morrer. A vida em Cristo não tem relação com a meritocracia da sobrevivência do mais forte ou do mais justo, mas com a graciosa distribuição de um desejo abundante de vida.

Quem olha pra a morte violenta pelo prisma da utilidade dá espaço para, ainda que vivo, viver morto.

Texto por Hernani Medola.

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