extraordinariamente comum

Viralizou um vídeo de uma família feliz da vida, comprando, enfim, o que sempre quiseram no mercado, mas nunca puderam. A autora do vídeo reforça várias vezes (talvez já se preparando para eventuais críticas) que aquilo são coisas que parecem simples pra muita gente, mas que, para eles, eram extraordinárias.

Foi Chesterton que disse: “A coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e seus filhos comuns.” E eles estavam ali: um homem comum, uma mulher comum e uma menina comum. Em um cenário comum, fazendo algo comum, e aquilo foi extraordinário.

Eles compraram uma barra de chocolate, um pote de sorvete e um pacote de queijo coalho. Comum e extraordinário.

A Graça tem esse dom de transformar o comum em extraordinário. Vinho em um casamento é comum, mas nas mãos de Cristo, se torna extraordinário. Pães de cevada e peixes, refeição de um pobre, extraordinário. Lírios do campo e passarinhos, prosaicos, mas com o olhar do Cristo, extraordinários. Pão e vinho, uma refeição comum, mas que Ele torna extraordinária.

A cultura do excesso nos satura e rouba de nós a capacidade de se maravilhar com o ordinário. O culto ao consumo nos rouba a paz simples, acessível, que está ao alcance de um sorriso, e que é de graça.

É óbvio que a felicidade daquela família comum não estava no chocolate, no queijo e no sorvete que eles compraram. Não posso acreditar que tenha alguém que viu o vídeo e pensou: “Meus problemas acabaram, é só ir comprar chocolate, queijo e sorvete…”

A felicidade deles estava em algo que nem todo mundo está disposto a buscar: a satisfação de ser, simplesmente, comum.

Texto por Hernani Medola.

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