Meu nome é Giancarlo Marx e hoje eu vou falar sobre o tema: O Evangelho do Caminho.

Chegamos ao mês de julho. O meio do ano.
É aquela época em que geralmente eu olho para as metas que tracei lá em janeiro e me sinto frustrado. Eu não “cheguei lá”, né?
Vivemos na cultura da metas, de resultados e do ponto de chegada. Mas o Evangelho tem uma dinâmica diferente.
Talvez você se lembre de que, antes de se converter, Paulo saiu para prender e matar os “do caminho”. Assim que eram conhecidos os discípulos de Jesus.
Não é à toa que Jesus nunca disse: ‘Eu sou o destino’. Ele disse: ‘Eu sou o Caminho’.
Pode parecer apenas um detalhe semântico, mas isso muda tudo.
Se Jesus é o caminho, a nossa espiritualidade não é sobre um troféu que a gente ganha no final, mas sobre como a gente percorre a jornada e quem a gente se torna enquanto caminha. A fé cristã não é uma linha de chegada, é um modo de andar.
Muitas vezes, a religião nos vendeu uma ideia de perfeição estática: ‘Um dia você vai chegar em um nível espiritual de varão perfeito. Não terá mais dúvidas, nem medos, nem crises’. Mentira. Esse status mencionado por Paulo na carta aos Efésios não é uma meta individual de perfeição, mas sim uma soma de virtudes coletivas.
Ninguém é (ou deveria almejar ser) individualmente perfeito. Mas caminhando coletivamente, sim.
Por isso o texto diz: “… até que TODOS cheguemos à estatura de varão perfeito”
A vida com Deus é movimento. É itinerância. É, como dizia o Salmo 133, (um salmo de peregrinação). Como é bom quando nos unimos na jornada! Nesta comunhão Deus derrama benção e vida.
Essa consciência tem o poder de nos libertar da ansiedade de ter que estar ‘pronto’.
Afinal, no Reino de Deus a vulnerabilidade é mais importante que a performance.
O erro, o cansaço e a dúvida não são desvios do caminho; eles fazem parte da pavimentação. Seguir a Jesus é aprender a andar na estrada da honestidade, reconhecendo que somos eternos aprendizes de um carpinteiro que não tinha onde reclinar a cabeça.
Neste mês de julho, eu te convido a tirar o peso das suas metas espirituais por um instante.
Ao invés de olhar para a linha de chegada, olhe para os seus pés. Onde você está agora? Com quem você está caminhando? O que o trajeto tem te ensinado até aqui?
O Evangelho não é para quem chegou; é para quem está na estrada.
É para quem entendeu que a graça de Deus não nos espera no fim da linha, mas caminha ao nosso lado, no ritmo dos nossos passos cansados. Ainda assim cientes de que bondade e misericórdia nos seguirão todos os dias.
Que em julho você aprenda a desfrutar da paisagem da vida, com todas as suas curvas, subidas e descidas.
Eu vou ficando por aqui. Bom caminho para você. Um abraço e até o próximo Ampulheta.
PARTICIPANTES:
– Giancarlo Marx
COISAS ÚTEIS:
– Duração: 04m51s
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CITADOS NO PROGRAMA:
– Ampulheta
– Salmo 133
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