o banco das igrejas e a igreja dos bancos

“Jesus disse aos judeus que haviam crido nele: ‘Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos; então, conhecerão a verdade, e a verdade os libertará.’” (João 8:31-32)

Mas… nos libertará do quê? Jesus explica, mais adiante, que quem for liberto pelo Filho, verdadeiramente será livre do pecado. Mas… que pecado?

Aí a gente tem que olhar para os interlocutores, para as pessoas a quem Jesus estava dirigindo essas palavras. Por exemplo, se Jesus dissesse isso em seu debate com Pilatos ou Herodes, governadores romanos, poderia estar se referindo à liberdade política para o povo — a opressão política como manifestação do pecado que afligia a nação.

Mas Jesus está debatendo com fariseus. Não eram simples lideranças religiosas, mas as mais reconhecidas por seu zelo com a Palavra de Deus — as mais puritanas, as que mereciam atenção se nossa preocupação fosse o cumprimento das Leis de Deus.

Os fariseus são o grupo preferido de Jesus quando o assunto é denunciar a hipocrisia religiosa. Uma fé que oprime, explora e aprisiona as pessoas. E é nesse contexto que Jesus diz que, se conhecermos a verdade, seremos libertos.

Os bancos das igrejas podem funcionar como prisões. Antes dominicalmente e agora diariamente, lideres inescrupulosos, fariseus modernos, oprimem o povo e os prendem à sua liderança, à sua igreja, ao seu esquema de passaporte para o céu. “Cruzam terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, o tornam duas vezes mais merecedor do inferno do que eles” (Mateus 23:15).

“Isso aí num é crente, não!” virou bordão de quem quer fazer acreditar que tem autoridade para decidir quem é ou não filho de Deus, quem vai ou não vai “pro céu”. E vão acorrentando as pessoas — muita gente boa, humilde e sincera entre elas — aos bancos de suas instituições, nas correntes da religião.

E aí o rebanho vira mercado, a igreja vira curral.

Nada de águas vivas – tem que beber água de balde, e o dono do balde cobra. Antes era 10%; agora, muito mais.

CONSUMAM!

Minha música, minha televisão, minhas roupas, meu cinema, meu teatro, meus livros, minhas redes sociais… E quando chega ao cúmulo do MEU BANCO, não sei mais pra onde pode afundar.

Todo o resto é “do mundo”, “do demônio”. Você tem que comer na mão do ~pastor~.

É tentador olhar pra situação atual e achar que nunca esteve tão ruim. Mas já esteve. A leitura de João 8 mostra que os fariseus controlavam não apenas a vida, mas a morte das pessoas. Jesus está debatendo com pessoas que queriam matá-lo – e que, pouco depois, conseguiram.

Nossos pastores milionários e banqueiros também mandam matar – ainda que nem sempre de forma explícita (só as vezes). Mas talvez chegue esse momento.

E tanto naquela época como agora, a mensagem continua a mesma: só Cristo nos liberta deles.

Texto por Hernani Medola.

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