#ScholeQueÉ – Introdução ao Deuteronômio – A nova geração #006

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Introdução ao Livro de Deuteronômio – A nova geração

 

Ao contrário do que o nome, vindo do grego, sugere, Deuteronômio não se trata de uma segunda lei, mas é uma recapitulação, para a nova geração pós-êxodo, sobre os ensinos da lei que Javé dera ao povo hebreu por intermédio de Moisés.

Durante trinta e oito anos os israelitas ficaram em Cades-Barnéia, no deserto de Parã, e puderam entrar na terra da promessa somente quando a primeira geração do Êxodo havia morrido. Escrito pouco antes da morte de Moisés, o livro fornece uma retrospectiva do que acontecera com a geração anterior e adequa os ensinos do Livro da Aliança para a geração atual e possibilita a renovação da aliança.

O livro de Deuteronômio segue a estrutura dos antigos tratados dos povos do Antigo Oriente Médio, logo podemos notar a unidade de conteúdo do livro e estabelecer sua data de composição no período Mosaico, ou seja, o segundo milênio a.C.

A tabela abaixo mostra a estrutura dos antigos Tratados dos povos do Oriente Médio, e a comparação com a Aliança entre Javé e os hebreus.

Tratados Antigos Descrição Aliança Referência
Título Identifica o autor, a parte superior, e seu direito do tratado Título Dt. 1:1-5
Prólogo histórico Mostra o cuidado da parte superior com o subordinado no passado e este relacionamento entre as partes envolvidas Prólogo Dt. 1:6 – 3:29
Leis Obrigações dadas pela parte superior que deveriam ser obedecidas pelo subordinado Leis e estipulações Dt. 4 – 26
Bençãos e maldições Instruções de conservação e leitura pública Garantias/Leitura Dt. 27:2-3
Maldições prescritas contra os que desobedecem e a reação da divindade Bênçãos e Maldições Dt. 28
Deuses convocados para testemunhar o juramento de ambas as partes Testemunhas Dt. 31 e 32

De acordo com a tabela acima, os tratados da antiguidade eram divididos em:

  • Introdução apresentando o narrador
  • Prólogo histórico sobre a bondade da parte superior, o senhor e suserano.
  • Os detalhes do que era esperado do subordinado
  • Ordens sobre a conservação e armazenagem do tratado e suas leituras periódicas
  • Lista de testemunhas para o tratado, geralmente alguma divindade
  • Maldições ou bênção de acordo com a obediência do subordinado

Em Deuteronômio Javé é apresentado como o superior autor da aliança. O prólogo do tratado registra a ação redentora de Javé com os israelitas ao livrá-los da escravidão no Egito. Por isso Javé tem o direito de fazer estipulações ao povo, a parte subordinada do tratado. Estas estipulações estão descritas nos capítulos 4 a 26 abrangendo grande parte do livro. O item do tratado que corresponde à garantia e conservação está registrada no capítulo 27:2-3, que diz ao povo para erguer pedras e escrever a lei nelas assim que chegassem à Terra Prometida. No capítulo 28 estão registradas as bençãos e maldições do tratado, e, nos capítulos 31 e 32 encontram-se as testemunhas, que inclui um cântico de Moisés que servirá de juramento a Javé.[/tab][tab title=”Estrutura”]
O livro de Deuteronômio pode ser dividido em três grandes discursos de Moisés, conforme abaixo:

  • Primeiro discurso de Moisés: Dt. 1:1 – Dt. 4:43
  • Segundo discurso de Moisés: Dt. 4:44 – Dt. 28:68
  • Terceiro discurso de Moisés: Dt. 29 e 30
  • Últimas palavras de Moisés: Dt. 31 a 33
  • Transição para Josué: Dt. 34

Além disso, os capítulos 6 a 26 de Deuteronômio, que tratam sobre as leis para o povo da aliança, podem ser agrupados de acordo com a estrutura dos dez mandamentos, de acordo com a estrutura abaixo:

1º Mandamento – autoridade divina – Dt. 6 – 11
Não terás outros deuses diante de mim

Incentiva o amor e obediência a Deus e apresenta formas de como agir para este fim. A eleição de Israel por Deus o torna digno de respeito.

2º Mandamento – Dignidade divina – Dt. 12
Não farás para ti nenhuma imagem de escultura

O uso de um santuário central impediria os israelitas de usar os santuários cananeus e preservaria sua prática religiosa e ensino. Javé não deveria ser adorado como os deuses cananeus, no qual os cultos eram interesseiros e manipuladores. A adoração a Javé não deveria ser manipuladora e interesseira, mas ser genuína e ter seu lugar devido.

3º Mandamento – Compromisso com a divindade – Dt. 13:1 – Dt. 14:21
Não tomarás em vão o nome do Senhor teu Deus.

A conduta cotidiana reflete o compromisso com a fé em Javé. Por isso os capítulos 13 e 14 dão exemplos concretos de conduta que o israelita que leva Deus a sério teria. Deus não perdoaria quem não o levasse a sério, logo o povo também deveria agir da mesma maneira.

4º Mandamento – Direitos da divindade – Dt. 14:22 – 16:17
Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo

Javé, como libertador do povo de Israel, merece toda honra. Portanto é esperado de seu povo lhe dediquem seus bens e liberdade, que devem ser estendidos a outras pessoas, e vai além do sábado. Este trecho dará exemplos práticos de como isso deve ser feito.

5º Mandamento – Autoridade humana – Dt. 16:18 – 18:22
Honra teu pai e tua mãe

Este trecho procurar enfatizar a autoridade humana para garantir a preservação da aliança, cujo ensino começa no lar com a autoridade dos pais. Porém o texto coloca outras autoridades no processo de instrução da aliança: juízes, reis, profetas e sacerdotes.

6º ao 8º Mandamentos – Dignidade humana – Dt. 19-21; 22:1-23:14; 23:15 – 24:7
Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás.

Este é o trecho mais difícil de harmonizar com os dez mandamentos. Mas, de forma geral, este trecho trata sobre a dignidade da existência humana, onde as mortes causadas pela guerra não se incluem neste contexto. A essência da natureza do povo também deveria ser preservada, assim como ninguém deveria se misturar no casamento de seu próximo, fios e plantas não deveriam ser misturados. Por último, este trecho trata sobre a dignidade da pessoa. Deuteronômio deixa claro que não se rouba apenas bens materiais, mas o roubo da liberdade ou do amor próprio é tão destrutivo quanto o furto dos bens materiais, pois ameaça e tira a dignidade de uma pessoa.

9º Mandamento – Compromisso com a humanidade – Dt. 24:8-16
Não darás falso testemunho contra teu próximo.

Devemos tratar o próximo com sinceridade. A confiança mútua é o resultado de levar o compromisso com a aliança a sério.

10º Mandamento – Direitos humanos – Dt. 24:17 – 26:15
Não cobiçarás coisa alguma que pertença a seu próximo.
Este trecho sugere que os direitos individuais devam ser protegidos, pois os hebreus não deveriam desejar nada que fosse do seu próximo.[/tab][tab title=”Propósito e conteúdo”]
O livro de Deuteronômio abrange os seguintes assuntos:

  • O local de adoração de Javé
  • As leis organizadas de acordo com os dez mandamentos
  • O nome de Deus
  • O amor e obediência a Javé, Deus da aliança.

Lei
No Antigo Oriente Médio, os povos tinham muita dificuldade para entenderem e decifrarem a vontade de seus deuses. Porém, para o hebreu este problema não existia, pois seu Deus decidira se revelar a eles, e usou a lei para mostrar o que se requeria deste povo escolhido. Logo, para o hebreu a lei era a demonstração da graça de Javé. A lei era um prazer, não um fardo. No NT Paulo se coloca contra os judeus que tentaram fazer da lei um meio de salvação  e não de revelação graciosa de Javé.

O Santuário
O tabernáculo, bem como o templo, representava a presença de Deus entre o povo no Antigo Testamento. Os hebreus tinham apenas um único Deus, logo para enfatizar este conceito teológico, o culto foi centralizado para garantir a prática religiosa correta.

Teologia da História
Javé se revelou ao povo hebreu em eventos históricos, isso fica claro no prólogo do tratado da aliança. A revelação de Javé foi histórica e envolvia uma resposta do povo não apenas o conhecimento intelectual. Além disso, os eventos históricos registrados em Deuteronômio tem caráter didático para a nova geração, que deveria aprender com os erros dos seus antepassados antes de entrarem na terra prometida.[/tab][/tabs]

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Milhoranza

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