Meu nome é Giancarlo Marx e hoje eu vou falar sobre o tema: Política como Exercício de Alteridade.

Setembro chegou. As bandeiras estão nas ruas, o debate público esquenta e, como sempre acontece em anos de eleição, o ar parece ficar mais pesado. Para muitos cristãos, este é o mês de vestir a armadura, escolher um ‘lado’ e tratar o lado oposto como um inimigo que precisa ser varrido do mapa.
Mas, e se a gente desse um passo atrás para olhar o que estamos fazendo?
Muitas vezes, fomos convencidos de que a política é apenas uma disputa pelo poder, ou uma tentativa de impor a nossa visão de mundo sobre os outros. Mas, para quem segue a Jesus, a política deveria ser o exercício da alteridade. Alteridade é reconhecer que o ‘outro’ existe, que ele é legítimo e que ele tem direitos. Especialmente se esse ‘outro’ for alguém que você não suporta.
Ao contrário do que você vai ouvir por aí esses dias, o Evangelho de Jesus Cristo não aponta um lado político. Mas com certeza nos sinaliza uma ética inegociável.
Uma ética que não aceita o sacrifício do pobre no altar da economia e nem a demonização do diferente no altar da moralidade. Jesus não usou as ferramentas do Império para estabelecer o seu Reino. Ao invés disso, ele usou a toalha e a bacia.
Ser cristão em tempo de eleição não é buscar privilégios para a ‘nossa casta’ ou tentar controlar o Estado para que ele se pareça com a nossa igreja. Aliás, eu arrisco dizer que esta é a última coisa que um verdadeiro discípulo de Jesus estaria interessado. Ou será que nos esquecemos que a marca do nosso mestre é exatamente a renúncia?
Ser cristão em tempo de disputa política envolve, antes de tudo, perguntar: qual proposta efetivamente protege o órfão, a viúva e o estrangeiro hoje? Qual caminho garante mais justiça para quem tem fome? Qual discurso promove a paz em vez de armar o ódio?
Se a nossa política não consegue conviver com quem pensa diferente, ou quem vive um estilo de vida diferente, ela é qualquer coisa, menos cristã. Se eu preciso desumanizar o próximo, tirar seus direitos, ou mesmo ofender seu estilo de vida para defender minha ideologia, isso deixa claro que já perdi Jesus pelo caminho.
Neste mês cheio de contendas e debates, eu te convido a um exercício de humildade.
Antes de expor sua indignação nas redes, lembre-se de uma coisa: governos passam, mas o mandamento de amar o próximo (inclusive o próximo que vota no candidato que você detesta) esse é eterno.
Que nas eleições deste ano a gente seja reconhecido não pelas cores que vestimos, mas pela justiça que defendemos e pela dignidade que reconhecemos em cada ser humano. É assim que o Brasil será impactado pelo verdadeiro Evangelho.
Eu vou ficando por aqui. Um abraço e até o próximo Ampulheta.
PARTICIPANTES:
– Giancarlo Marx
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– Duração: 04m30s
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