
Recentemente, duas notícias com a palavra “café” no título chamaram a minha atenção.
A primeira tratava da entrada no mercado de “bebidas sabor café”. Devido ao aumento dos preços,a indústria começou a lançar produtos que parecem café, imitam café, mas são na verdade uma mistura quase obscena de resto e subprodutos, aromatizados e maquiados para se passar pelo café original. Esses produtos transitam nos limites entre enganar pessoas inocentes e satisfazer gananciosos.
A segunda notícia dizia respeito ao fenômeno literário “Café com Deus Pai”, um livro no formato de devocional diário que, segundo a matéria, furou a bolha religiosa e passou a ser consumido também pelo público geral. A questão aqui é: qual o impacto real desse livro na sociedade, dado que ele conseguiu penetrar o mercado secular?
Assim com as “bebidas sabor café”, que parecem, mas não são, a fé também tem sido aromatizada e subvertida para ser distribuída de forma a gerar mais poder , mais lucro. Às vezes é uma auto-ajuda disfarçada de fé; outras vezes, é política, exploração, dominação e violência, tudo embalado nas atraentes cores da espiritualidade e da religião.
Escrevendo ao seu discípulo Timóteo, Paulo alertou que, nos últimos dias, haveriam homens maus que “embora tenham aparência de piedade, negam o seu poder. Afaste-se destes também” (2 Timóteo 3:5). Em tempos como esses, o que aparenta não reflete, de fato, o que é. Mas como identificar? Segundo Jesus, pelos frutos (Mateus 7:16).
Se toda essa espiritualidade gera amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5:22-23), ela é viva e saudável. Mas se não gera esse fruto, pode até parecer fé, mas é engano. É falso. Tem aparência de espiritualidade, mas é apenas uma “bebida sabor café com Deus Pai”.
Texto por Hernani Medola.
