{"id":545,"date":"2011-05-12T01:01:00","date_gmt":"2011-05-12T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/oueleouela.wordpress.com\/2011\/05\/12\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day"},"modified":"2011-12-26T10:38:37","modified_gmt":"2011-12-26T12:38:37","slug":"eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html","title":{"rendered":"Eu queria ser assim &#8211; #0004 &#8211; Dorothy Day"},"content":{"rendered":"<div><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color:#134f5c;\">Sauda\u00e7\u00f5es meus queridissimos Crentassos, como a maioria de vcs sabe, temos aqui no nosso humilde blog, uma gaveta chamada &#8220;Eu queria ser assim&#8221;, e como a semana passada foi a do dia das m\u00e3es, aproveito para trazer at\u00e9 vcs, a historia de uma super mulher, cat\u00f3lica e anarquista, q eu li no site da <a href=\"http:\/\/www.novosdialogos.com\/\">novos di\u00e1logos<\/a>&#8230; segue<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"iten-full\">\n<div style=\"text-align:justify;\"><a href=\"http:\/\/oueleouela.files.wordpress.com\/2011\/05\/dorothyday1.jpg\" style=\"clear:left;float:left;margin-bottom:1em;margin-right:1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/oueleouela.files.wordpress.com\/2011\/05\/dorothyday1.jpg?w=240\" width=\"256\" \/><\/a><span class=\"Apple-style-span\"><b>Dorothy Day nasceu no Brooklyn, em Nova Iorque, a 8 de novembro de 1897<\/b>, no seio de uma fam\u00edlia nominalmente protestante. Seu pai era um jornalista do Tennessee, escrevia romances e aventuras sobre esportes e amenizava seus artigos com cita\u00e7\u00f5es de Shakespeare e da B\u00edblia.<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>\u00c0s v\u00e9speras da Primeira Guerra Mundial come\u00e7ou a se interessar pela realidade social.<\/b> Devorou as descri\u00e7\u00f5es da mis\u00e9ria narradas por <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jack_London\">Jack London<\/a>, assim como v\u00e1rias teorias anarquistas. Com uma bolsa dada por uma funda\u00e7\u00e3o de diretores de jornais p\u00f4de come\u00e7ar a estudar na universidade de Illinois \u2014 tinha ent\u00e3o apenas dezesseis anos \u2014, e ao mesmo tempo ingressava no <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Partido_Socialista_da_Am%C3%A9rica\">Partido Socialista da Am\u00e9rica<\/a>. Depois de 2 anos, Dorothy sai da universidade e, ao encontrar resist\u00eancia por parte de seu pai ao voltar para casa, instala-se no bairro judeu Eastside e se torna jornalista, colaborando no jornal socialista <i>Call<\/i> (Voz). Escrevia sobre manifesta\u00e7\u00f5es, interven\u00e7\u00f5es brutais da pol\u00edcia, com\u00edcios de greve e atividades pacifistas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Teve pouco a ver com a ditadura do proletariado.<\/b> As ideias anarquistas a fascinavam. Repugnava o Estado moderno, que chamava \u201cEstado de escravos\u201d; em seu lugar, prefere que o estado seja administrado por cada um, que todos participem na propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o com a devida responsabilidade. Propunha uma variedade de organismos descentralizados e aut\u00f4nomos. Manifestou-se, em Washington, com um grupo de feministas que haviam convocado uma greve. A pol\u00edcia prendeu trinta manifestantes, entre eles Dorothy. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Em 1918, o \u00faltimo ano da guerra, tornou-se enfermeira.<\/b> Tornou-se rep\u00f3rter de causas jur\u00eddicas, praticava a especula\u00e7\u00e3o em um restaurante e posava como modelo para estudantes de arte. Enquanto isso, casou-se com Forster Butterman \u2014 um homem de boas ideias, radicais \u2014 e teve com ele uma filha, Tamar; logo o abandonou. Nestes anos, Dorothy experimenta uma profunda convers\u00e3o ao catolicismo, vendo na Igreja Cat\u00f3lica um corpo vivo que sobreviveu por s\u00e9culos. Produto desta convers\u00e3o ser\u00e1 sua separa\u00e7\u00e3o de Forster, o homem de sua vida, e o batismo pelo rito cat\u00f3lico. <\/span><\/p>\n<div style=\"text-align:center;\"><span class=\"Apple-style-span\">[youtube http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MDPHWTWwHkA]<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Em 1933 conhece a Peter Maurin, pessoa essencial para a evolu\u00e7\u00e3o de seu pensamento.<\/b> Juntos, numa data t\u00e3o significativa como o 1\u00ba. de maio de 1933, Dia do Trabalho, lan\u00e7aram o primeiro n\u00famero do<i> Catholic Worker<\/i> (O Trabalhador Cat\u00f3lico). O jornal custava um centavo de d\u00f3lar, continha relatos de greves, an\u00e1lises, trabalho infantil, greve dos agricultores, descrevia as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es salariais dos negros, artigos de leitura f\u00e1cil e dezenas de mensagens sobre uma sociedade onde os homens est\u00e3o \u00e0 vontade. O <i>Catholic Worker<\/i>, com seu entusiasmo e linguagem clara caiu como uma bomba. Foram impressos 2.500 exemplares do primeiro n\u00famero mas no final do ano vendiam-se 100 mil, subindo para 150 mil em 1936&#8230;<\/span><br \/><a name='more'><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Quando tinha 65 anos, Dorothy Day viajou a Cuba para buscar os pontos de contato com os frutos da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/b> Mostra abertamente sua simpatia por Fidel Castro. Aos 74 anos viajou a Moscou, onde encontrou algumas coisas interessantes, mas sem chegar a travar amizade com o verdadeiro socialismo russo. Ao cumprir 80 anos, recebeu a felicita\u00e7\u00e3o do Papa; naqueles anos levava uma vida tranquila em Nova Iorque. No dia 29 de novembro de 1980, aos 83 anos, morre v\u00edtima de c\u00e2ncer. O Papa Jo\u00e3o Paulo II a declarou Serva de Deus em 1996. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<div class=\"separator\" style=\"clear:both;text-align:center;\"><a href=\"http:\/\/www.saintvictor.org\/images\/day.jpg\" style=\"clear:right;float:right;margin-bottom:1em;margin-left:1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" height=\"320\" src=\"http:\/\/www.saintvictor.org\/images\/day.jpg\" width=\"252\" \/><\/a><\/div>\n<p><span class=\"Apple-style-span\"><b>Dorothy Day \u00e9, possivelmente, a figura mais importante do catolicismo norte-americano do s\u00e9culo vinte, ainda que n\u00e3o seja muito conhecida<\/b>. Sua vida compartilhada com os pobres e seu compromisso com a n\u00e3o-viol\u00eancia ativa a fizeram ganhar tanto cr\u00edticas como elogios. Sempre fiel \u00e0 Igreja e contundente contra o capitalismo, nem todos os cat\u00f3licos americanos a compreenderam ou compartilharam sua posi\u00e7\u00e3o. Mulher leiga, m\u00e3e, av\u00f3, trabalhadora, revolucion\u00e1ria e profundamente religiosa, Dorothy oferece um modelo de vida para estes primeiros anos do s\u00e9culo 21. Sentia-se bem em ambientes socialistas, anarquistas e pacifistas, nos quais ganhou credibilidade devido ao seu compromisso cotidiano com os pobres e sua atitude prof\u00e9tica at\u00e9 o final da vida. Falecida em 1980, foi declarada oficialmente como <i>Serva de Deus<\/i> e seu processo de canoniza\u00e7\u00e3o segue adiante. Fundadora do movimento anarquista cat\u00f3lico em 1933, e l\u00edder carism\u00e1tica do mesmo durante quase 50 anos, alguns se surpreenderam que o<i> Catholic Worker<\/i> se mantivesse vivo e com vigor crescente depois de sua morte. <b>O extraordin\u00e1rio de Dorothy Day n\u00e3o foi o que escreveu nem o que cria mas o fato de que n\u00e3o havia diferen\u00e7a alguma entre o que cria, o que dizia e escrevia e sua maneira de viver. <\/b><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Mas Dorothy Day n\u00e3o chegou pacificamente ao compromisso s\u00f3cio-pol\u00edtico a partir de sua f\u00e9 crist\u00e3.<\/b> Ao contr\u00e1rio, a experi\u00eancia religiosa foi algo que ela descobriu progressivamente e que s\u00f3 conseguiu integrar depois de anos de lutas internas e externas \u2014 Dorothy nasceu no seio de uma fam\u00edlia trabalhadora e pouco religiosa. As tend\u00eancias anticlericais de seu pai prevaleciam sobre a t\u00eanue religiosidade anglicana de sua m\u00e3e, e s\u00f3 no come\u00e7o da adolesc\u00eancia Dorothy teve algum contato com a igreja. Durante a sua juventude, movia-se em ambientes progressistas, bo\u00eamios e seculares. Suas inquieta\u00e7\u00f5es, suas amizades e o entorno no qual vivia lhe conduziram por rumos distantes do eclesial.<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\">\n<ul>\n<li><b><span class=\"Apple-style-span\">OLHAR O MUNDO A PARTIR DOS POBRES\u00a0<\/span><\/b><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>A chave da n\u00e3o-viol\u00eancia revolucion\u00e1ria de Dorothy Day est\u00e1 no que podemos chamar seu descenso radical e sem retorno ao mundo dos pobres.<\/b> Dorothy \u00e9, ao mesmo tempo, uma reformadora social, uma ativista pol\u00edtica e uma l\u00edder espiritual. Na sequ\u00eancia, veremos como est\u00e1 s\u00edntese se expressa no seu modo de olhar a vida e a hist\u00f3ria, em sua maneira de perceber e experimentar a realidade, em seu descobrimento de Jesus Cristo no meio da cidade. Dito de outro modo, sua s\u00edntese f\u00e9-justi\u00e7a se plasma em tr\u00eas pr\u00e1ticas concretas de descenso com consequ\u00eancias revolucion\u00e1rias: abrir os olhos na a\u00e7\u00e3o pela justi\u00e7a, incorporar-se \u00e0 vida dos pobres e fazer-se carne (fragilidade) na vida p\u00fablica, na pris\u00e3o, na rua.<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\">1. Do conflito \u00e0 s\u00edntese\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">A vida de Dorothy Day pode ser vista como o desdobramento de uma s\u00edntese profunda que ela foi descobrindo e encarnando, uma s\u00edntese entre f\u00e9 e justi\u00e7a, tradi\u00e7\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o e pol\u00edtica. Nas primeiras etapas de sua vida, estes aspectos pareciam p\u00f3los opostos, como oposi\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis. Mas olhemos mais detalhadamente este ponto, a partir de seus pr\u00f3prios escritos autobiogr\u00e1ficos, para ver que evolu\u00e7\u00e3o se produz com o passar dos anos.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Ainda nos tempos de bacharelado, com apenas 15 anos, escreveu que \u201cdesejava, ainda que n\u00e3o soubesse na \u00e9poca, uma s\u00edntese\u201d (1).<\/b> Alguns meses mais tarde, depois de se filiar ao partido socialista da Universidade de Illinois e de ler os grandes romancistas russos como Dostoi\u00e9vski ou Tolst\u00f3i, se deu conta de que \u201cestava surgindo um grande conflito dentro de mim\u201d (<i>The Long Loneliness<\/i> [<i>La Larga Soledad<\/i>, 50]), um conflito entre a religi\u00e3o e as novas realidades que ia descobrindo. \u201cSentia que minha f\u00e9 n\u00e3o tinha nada a ver com a dos crist\u00e3os ao meu redor\u201d (LS, 52). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>No final da segunda parte de sua autobiografia, intitulada \u201cTempo de Busca\u201d, descobre que \u201ca grande massa dos pobres e trabalhadores eram os cat\u00f3licos neste pa\u00eds; e isto foi o que me levou \u00e0 Igreja\u201d (LS, 118) e o que lhe ajudou a integrar o conflito com uma nova, ainda que ainda fr\u00e1gil, s\u00edntese.<\/b> Em 1926, escreveu que \u201cestava convencida de que me tornaria cat\u00f3lica; de qualquer modo, sentia que estava traindo a classe a que pertencia, os trabalhadores, os pobres do mundo, aqueles com os quais Cristo passou sua vida\u201d (LS, 155). Esta luta n\u00e3o se acabou, obviamente, com a incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja. Vive em tens\u00e3o entre sua convic\u00e7\u00e3o de que a Igreja \u00e9 a Igreja dos pobres e os esc\u00e2ndalos que v\u00ea nela. \u201cH\u00e1 muita caridade mas muito pouca justi\u00e7a\u201d (LS, 161). E coloca no papel seus sentimentos mais profundos: \u201cComo desejo fazer uma s\u00edntese que reconcilie corpo e alma, este mundo e o vindouro (&#8230;) N\u00e3o \u00e9 estranho que tivera um conflito t\u00e3o forte em minha mente e em meu cora\u00e7\u00e3o\u201d (LS, 162). Em meio a esta situa\u00e7\u00e3o, viaja \u00e0 Washington DC como jornalista para cobrir a Marcha contra a Fome, liderada pelos comunistas, e ali se produz o que, em minha opini\u00e3o, \u00e9 o epis\u00f3dio mais significativo frente \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o desse conflito e na dire\u00e7\u00e3o do descobrimento da nova s\u00edntese. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Esta passagem \u00e9 narrada ao final da segunda parte de<i> La Larga Soledad<\/i> e descreve um per\u00edodo de profunda busca pessoal, aos trinta e cinco anos.<\/b> Dorothy se refere a uma mescla de sentimentos de alegria, orgulho, amargura, egocentrismo e pecado. Se pergunta sobre \u201conde estava a lideran\u00e7a cat\u00f3lica na tarefa de reunir homens e mulheres\u201d (LS, 177). Neste contexto concreto, entrou em uma igreja e ali ofereceu \u201cuma ora\u00e7\u00e3o especial, uma ora\u00e7\u00e3o acompanhada de l\u00e1grimas e ang\u00fastia, pedindo encontrar a maneira de usar meus talentos a favor de meus companheiros trabalhadores, dos pobres\u201d (LS, 178). Quarenta anos mais tarde, recorda: \u201cHoje \u00e9 nosso anivers\u00e1rio. Em 1932, no santu\u00e1rio de Washington, rezei \u00e0 Virgem M\u00e3e para que mostrasse um modo de trabalhar a favor da revolu\u00e7\u00e3o! Quando voltei a Nova Iorque, Peter Maurin estava me esperando\u201d (2). Peter tamb\u00e9m andava buscando \u201cuma nova s\u00edntese\u201d (LS, 182) e finalmente esta se realizou no Catholic Worker. Levando em conta o dinamismo narrativo de <i>La Larga Soledad<\/i>, as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas que se derivaram desta ora\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio testemunho pessoal de Dorothy Day, parece claro que este epis\u00f3dio foi o ponto de inflex\u00e3o em sua busca de uma s\u00edntese. Como Dorothy Day articulou esta nova s\u00edntese? Dado que n\u00e3o era uma te\u00f3loga nem uma grande intelectual, o que fez foi simplesmente utilizar as no\u00e7\u00f5es comuns de sua \u00e9poca; mas as fez suas de uma maneira criativa, explorando, utilizando e encarnando as consequ\u00eancias impl\u00edcitas em tais doutrinas. Foi capaz de retomar doutrinas tradicionais, de assimil\u00e1-las de uma maneira profundamente pessoal segundo seu pr\u00f3prio car\u00e1ter, e de radicaliz\u00e1-las a partir da proximidade cotidiana aos pobres. Por isso se pode dizer que a s\u00edntese de sua vida teve uma articula\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica impl\u00edcita, que d\u00e9cadas mais tarde se nomeou como o bin\u00f4mio f\u00e9-justi\u00e7a. <\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\">2. Abrir os olhos at\u00e9 desgarr\u00e1-los\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Dorothy Day foi, desde jovem, uma mulher atenta \u00e0 vida, nos seus matizes e detalhes<\/b><i><b>.<\/b> La Larga Soledad<\/i> nos permite seguir sua trajet\u00f3ria a este respeito, descobrindo que sua espiritualidade se ap\u00f3ia em sua pr\u00f3pria personalidade, seu car\u00e1ter, seu estilo, suas virtudes e limita\u00e7\u00f5es. A convers\u00e3o religiosa de Dorothy (como em toda pessoa) se constr\u00f3i a partir de sua pr\u00f3pria humanidade, ainda que obviamente fica transformada pela gra\u00e7a.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\"><\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Quando tinha apenas quinze anos escreve a uma amiga do col\u00e9gio: \u201cComo gosto do parque no inverno! T\u00e3o solit\u00e1rio e assombroso, no sentido mais verdadeiro da palavra.<\/b> Deus est\u00e1 a\u00ed. Obviamente, Ele est\u00e1 em todas as partes, mas debaixo das \u00e1rvores e olhando atrav\u00e9s da expans\u00e3o ampla do lago Ele se comunica pessoalmente comigo e me enche com uma profunda paz tranquila\u201d (LS, 42). N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que, anos mais tarde, em 1962, conclua: \u201cme parece que sempre tive um sentido espiritual imanente do mundo\u201d (AIG, 62). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Quando tinha dezessete anos e ainda vivia em Chicago, experimentou um processo de aprendizagem que podemos chamar de \u201cmisticismo social\u201d.<\/b> Em um delicioso relato, conta de que maneira sua \u201cleitura come\u00e7ou a ter consci\u00eancia social\u201d (LS, 45), como aprendeu de Carl Sandberg \u201ca olhar as pessoas tal e como ele o fazia, com amor e esperan\u00e7a de grande compromisso\u201d (LS, 45). Este despertar inclui o aprender a caminhar de uma nova maneira e em uma nova dire\u00e7\u00e3o: \u201cQuando li La Jungla de Upton Sinclair comecei a dar largos passos na dire\u00e7\u00e3o de West Side mais que dirigir-me at\u00e9 o parque ou ao lago\u201d (LS, 46). H\u00e1 um novo significado no cheiro: \u201ccolecionava odores em minha mem\u00f3ria, a \u00fanica beleza naquelas ruas cinzentas\u201d (LS, 46). Escuta de maneira diferente as diferentes vozes e m\u00fasicas que \u201ctocam tamb\u00e9m nas cordas do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d (LS, 46). Gra\u00e7as a esta maneira de ler, olhar, caminhar, cheirar e escutar acaba reconhecendo: \u201cRecebi um chamado, uma voca\u00e7\u00e3o, uma dire\u00e7\u00e3o para minha vida\u201d (LS, 47). \u00c9 a dire\u00e7\u00e3o do descenso radical na dire\u00e7\u00e3o dos pobres, na qual anos mais tarde encontrar\u00e1 sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Uma das primeiras coisas das quais se apercebeu quando chegou a Nova Iorque em 1917 foi que \u201co sil\u00eancio em meio aos ru\u00eddos das cidades me oprimia\u201d e que \u201ca pobreza em Nova Iorque era espantosamente diferente da de Chicago.<\/b> Os mesmos odores eram muito distintos. (&#8230;) \u00c9 um odor como n\u00e3o h\u00e1 outro no mundo, a que algu\u00e9m n\u00e3o se acaba por se acostumar\u201d (LS 60). Alguns anos mais tarde, quando Dorothy Day participou com as sufragistas nas manifesta\u00e7\u00f5es de Washington, recorda que \u201chavia um sabor religioso nas marchas silenciosas\u201d (LS, 82), ainda que as participantes fossem em sua maioria n\u00e3o-crentes. Com raz\u00e3o se ressaltou que Dorothy Day se destaca desde jovem por sua sensibilidade aos detalhes inadvertidos da vida, uma sensibilidade que se mant\u00e9m e se agudiza ao largo de toda sua vida. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><b>Outro acontecimento que aprofunda sua capacidade para a contempla\u00e7\u00e3o ocurreu em 1925.<\/b> Tinha 28 anos e estava gr\u00e1vida, tinha ido viver em Staten Island e, segundo ela mesma confessa, estava aprendendo a respirar de outra maneira: \u201cSe respirar \u00e9 a vida, ent\u00e3o estava come\u00e7ando a estar cheia de vida gra\u00e7as a ele [Forster, seu marido]\u201d (LS, 146). Em algumas ocasi\u00f5es se refere a este momento como \u201ca experi\u00eancia da praia,\u201d e anos depois escreveu em seu di\u00e1rio pessoal: \u201cnasci de novo pela palavra do Esp\u00edrito, contemplando a beleza do mar e da praia, do vento e das ondas, das mar\u00e9s. O sublime e o insignificante, as tormentas e a paz, as ondas e marolas da mar\u00e9 baixa, as gaivotas, algas e conchas, tudo dava testemunho do Criador, Pai todo poderoso, revelado a n\u00f3s gra\u00e7as a Seu Filho\u201d (AIG, 62). Ao largo de sua vida e de suas obras, h\u00e1 v\u00e1rios exemplos que mostram a agudeza de sua receptividade pessoal, social e espiritual para com a vida de Deus no mundo. Sua localiza\u00e7\u00e3o social entre os pobres proporcionar\u00e1 uma maneira particular de ver a realidade que aprofunda e radicaliza esta disposi\u00e7\u00e3o natural a captar e valorizar os detalhes da vida cotidiana (3). Por isso, podemos dizer que uma das caracter\u00edsticas principais da espiritualidade de Dorothy Day \u00e9 o que o pai da teologia pol\u00edtica, Metz, chamou de uma \u201cm\u00edstica de olhos abertos\u201d, ou o que na tradi\u00e7\u00e3o ignaciana se chama \u201cbuscar e achar a Deus em todas as coisas\u201d, ou ser contemplativos na a\u00e7\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\">3. Experimentar a realidade incorporada aos pobres\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, Dorothy Day foi duramente criticada pela posi\u00e7\u00e3o pacifista de<i> Catholic Worker<\/i>. Muita gente lhes acusou de ter medo do sofrimento e das priva\u00e7\u00f5es da guerra. Sua resposta oferece algumas chaves do que quer dizer o descenso radical cotidiano que j\u00e1 mencionamos:<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:right;\">\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><i>\u201cDeixemos que os que falam de suavidade e sentimentalismo venham viver conosco nas casas frias e sem aquecimento dos sub\u00farbios. Deixemos que eles venham viver com os criminosos, enfermos, b\u00eabados, degradados, pervertidos (n\u00e3o eram os pobres decentes nem os pecadores decentes os receptores do amor de Cristo). Deixemos que eles venham viver con os ratos, bichos, percevejos, baratas, piolhos (poderia descrever muitos tipos de piolhos do corpo). Deixemos que sua pele se congele de frio, se apodre\u00e7a pela sujeira, pelos bichos; deixemos que seus olhos se mortifiquem ao ver excrementos humanos, membros (olhos, narizes, bocas) mutilados<\/i>.\u201d (4)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">No mesmo artigo, continua descrevendo as condi\u00e7\u00f5es de vida entre os pobres, a vida cotidiana nas casas do Catholic Worker. Neste contexto, Dorothy oferece uma poderosa vers\u00e3o contempor\u00e2nea do que a tradi\u00e7\u00e3o espiritual crist\u00e3 chamou de o uso dos sentidos:<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:right;\">\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><i>\u201cDeixemos que seu olfato se atrofie pelo odor dos res\u00edduos, da degrada\u00e7\u00e3o, da carne podre. Sim, esse odor de suor, sangue e l\u00e1grimas de que t\u00e3o alegremente fala o Sr. Churchill, e que t\u00e3o aberta e arriscadamente cita muita gente abastada. Deixemos que seus ouvidos fiquem surdos ao ouvir essas vozes \u00e1speras, gritos da gente que entra e sai continuamente, vivendo amontoada e sem privacidade alguma. Deixemos que seu paladar se atrofie por essa comida insuficiente cozinhada em grandes quantidades para centenas de pessoas, esses pratos t\u00e3o toscos, tanto que muitas vezes o odor da comida \u00e9 repugnante<\/i>.\u201d (5)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Quanto ao sentido da audi\u00e7\u00e3o, em 1957 escreveu a prop\u00f3sito de sua experi\u00eancia na pris\u00e3o: \u201cEntre gritos, vaias, amea\u00e7as dos guardas e de uns aos outros, expressando-se desta maneira atrav\u00e9s das celas e corredores, eu, com meu ros\u00e1rio na m\u00e3o, tentava rezar ao cair da noite. O ru\u00eddo: talvez esta seja a maior tortura na pris\u00e3o. Atordoa a audi\u00e7\u00e3o e a mente\u201d (6). Um \u00faltimo exemplo, agora sobre o sentido do paladar, que encontramos no jejum p\u00fablico que aconteceu durante a \u00faltima sess\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, em Roma, 1965, enquanto os Padres Conciliares discutiam e finalmente condenaram a guerra nuclear. Escreve Dorothy:<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:right;\">\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><i>\u201cDa minha parte, n\u00e3o sofri nada pela fome, nem dores de cabe\u00e7a ou n\u00e1useas, que s\u00e3o muito comuns nos primeiros dias de uma greve de fome, mas ofereci minha greve de fome em parte pelas v\u00edtimas de fome no mundo, e me parecia que tinha umas dores muito especiais. Eram de um tipo que nunca antes havia tido, e me dava a sensa\u00e7\u00e3o de que perfuravam os ossos de minha coluna a cada noite, quando me deitava para dormir<\/i>.\u201d (7)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">A partir daqui se entender\u00e1 bem ao que nos referimos ao falar de espiritualidade encarnada na vida de Dorothy Day. Sua \u00eanfase no corpo concreto dos pobres evita qualquer interpreta\u00e7\u00e3o espiritualista, desencarnada ou intimista. Deste modo, a doutrina do Corpo de Cristo e a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica dos sentidos espirituais, s\u00e3o reformuladas e radicalizadas por sua localiza\u00e7\u00e3o social entre os pobres. O corpo e os sentidos n\u00e3o se limitam a uma experi\u00eancia pessoal desconectada da realidade s\u00f3cio-pol\u00edtica, mas nos abrem, precisamente, a ela. S\u00f3 nesse contexto tem lugar o encontro pessoal com Cristo, em seu corpo hist\u00f3rico entre os pobres. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Refletindo sobre as consequ\u00eancias da execu\u00e7\u00e3o dos anarco-sindicalistas Sacco e Vanzetti em 1927, Dorothy Day recorda que o pa\u00eds inteiro de pobres e trabalhadores chorava suas mortes, e que, ent\u00e3o, descobriu \u201cesse sentido da solidariedade que me fez compreender pouco a pouco a doutrina do Corpo M\u00edstico de Cristo na qual todos somos membros uns dos outros\u201d (LS, 158). Essa doutrina, muito comum em sua \u00e9poca, \u00e9 a segunda no\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica que permite a Dorothy Day articular sua s\u00edntese. Ela mesma diz, na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 La Larga Soledad que, na Igreja, encontrou \u201cum corpo com o qual amar e se mover, amar e adorar. Encontrei a f\u00e9. Me converti em um membro do Corpo M\u00edstico de Cristo\u201d (LS, 18). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Assim, o Corpo de Cristo proporciona uma solu\u00e7\u00e3o concreta para os desejos mais \u00edntimos de Dorothy, para seu anelo de comunh\u00e3o e solidariedade. Em suas pr\u00f3prias palavras: \u201cSempre senti a unidade comum de nossa humanidade\u201d (LS, 37); obviamente, o problema \u00e9 como alcan\u00e7ar e como viver esta unidade cotidianamente. \u201cA comunidade: essa era a resposta social \u00e0 longa solid\u00e3o\u201d (LS, 239). Para Dorothy Day, a express\u00e3o \u201ca longa solid\u00e3o\u201d significa \u201ca fome espiritual\u201d que s\u00f3 se pode satisfazer plenamente atrav\u00e9s da vis\u00e3o de Deus. Nos par\u00e1grafos finais de <i>La Larga Soledad<\/i>, Dorothy diz: \u201cO c\u00e9u \u00e9 um banquete e a vida \u00e9 tamb\u00e9m um banquete, com torta e tudo mais, onde h\u00e1 companherismo. Todos conhecemos a longa solid\u00e3o e sabemos que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o amor e que o amor vem com a comunidade\u201d (LS, 303). A partir da\u00ed, Dorothy tirar\u00e1 consequ\u00eancias para o terreno s\u00f3cio-pol\u00edtico. Por exemplo, o <i>Catholic Worker<\/i> nunca foi concebido como uma organiza\u00e7\u00e3o mas como um organismo (LS, 193), aspecto claramente inspirado pela imagen do Corpo de Cristo. \u201cO que necessitamos \u00e9 um organismo interno, a vida de Cristo dentro de n\u00f3s. Mas sempre estamos pensando em termos de organiza\u00e7\u00e3o, a vida do mundo ao redor de n\u00f3s\u201d (AIG, 136-7). Com este enfoque, mais pr\u00f3ximo da tradi\u00e7\u00e3o anarquista de estrutura horizontal que das hierarquias de poder vertical, Dorothy vincula uma experi\u00eancia espiritual devota com uma proposta s\u00f3cio-pol\u00edtica radical. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\">4. Fazer-se carne com os presos e sem lar&#8230;\u00a0<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Em 1976, Dorothy Day fez uma breve apresenta\u00e7\u00e3o diante do Congresso Eucar\u00edstico Mundial de Filad\u00e9lfia, naquela que seria sua \u00faltima apari\u00e7\u00e3o em p\u00fablico. Recordou, ent\u00e3o, de sua vida espiritual com estas palavras:<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align:right;\">\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><i>\u201cMinha convers\u00e3o come\u00e7ou faz muitos anos, em uma \u00e9poca na qual o mundo material ao meu redor come\u00e7ava a falar em meu cora\u00e7\u00e3o sobre o amor de Deus (&#8230;). Tamb\u00e9m me atraiu o aspecto f\u00edsico da Igreja. P\u00e3o e vinho, \u00e1gua (toda \u00e1gua \u00e9 bendita desde que Cristo foi batizado no Jord\u00e3o), incenso, o som das ondas e o vento, toda a natureza me chamava a gritos<\/i>\u201d (8). <\/span><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Neste texto podemos ver uma express\u00e3o condensada de como sua vis\u00e3o espiritual se encarnou em uma realidade f\u00edsica e material. Com frequ\u00eancia se refere a esta realidade como o \u201csacramento da vida\u201d (por exemplo, LS, 204), em uma express\u00e3o que anos depois tornaria popular o te\u00f3logo da liberta\u00e7\u00e3o Leonardo Boff. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Esta vis\u00e3o sacramental do mundo se ap\u00f3ia no mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o, que Dorothy entende n\u00e3o como um mero acontecimento do pasado, mas como um processo que continua na atualidade. \u201cToda minha convic\u00e7\u00e3o nessa \u00e9poca [de convers\u00e3o] era que a Palavra se faz Carne hoje, que a Encarna\u00e7\u00e3o tem lugar agora. N\u00e3o h\u00e1 verdadeira fraternidade entre os homens enquanto n\u00e3o vejamos a Cristo como nosso irm\u00e3o\u201d (AIG, 63). E conclui assim: \u201cQuando meditamos sobre a vida de Nosso Senhor estamos meditando sobre a nossa. Deus se encontra no que parece pequeno e sem import\u00e2ncia. N\u00e3o olhes 1900 anos atr\u00e1s. Olhe ao nosso redor hoje\u201d (AIG, 68). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">No resto deste texto, vamos ver dois exemplos de como Dorothy Day viveu esta espiritualidade da encarna\u00e7\u00e3o. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Em primeiro lugar, consideremos seu descobrimento da encarna\u00e7\u00e3o no contexto da pris\u00e3o. A primeira vez que esteve na pris\u00e3o, em 1917, teve um profundo efeito em sua vida. Experimentou um duplo processo de convers\u00e3o pessoal: por um lado, \u201cperdi todo o sentimento de minha pr\u00f3pria identidade,\u201d mas ao mesmo tempo se sentiu fortemente identificada com os outros presos: \u201cEu era aquela m\u00e3e a cujo filho haviam violado e assassinado\u201d (LS, 88). Perde sua identidade pr\u00e9via e a recupera, renovada, na identifica\u00e7\u00e3o com as companheiras presas. De alguma maneira, enquanto estava presa come\u00e7ou a descobrir uma nova identidade. Cinco anos mais tarde foi encarcerada de novo, desta vez em Chicago. A este respeito escreveu: \u201cCompartilhava, como nunca havia feito antes, da vida dos mais pobres dos pobres, os culpados, os despossu\u00eddos\u201d (LS, 105). Presa em 1956 durante uma a\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta, escreve: \u201cPercebi uma sensa\u00e7\u00e3o de intensa proximidade de Dios. Um grande sentido de Seu amor, um amor pelas Suas criaturas&#8230;\u201d (AIG, 109). Este proceso de encarna\u00e7\u00e3o que Dorothy experimentou na pris\u00e3o tamb\u00e9m se reflete, anos mais tarde, no seguinte texto. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Na cela onde est\u00e1vamos detidos, havia seis mulheres esperando julgamento por homic\u00eddio. (&#8230;). Mas ali, misturada com elas, entre portas abertas e corredores livres, \u00e9ramos irm\u00e3s. Vimos em n\u00f3s mesmas nossa pr\u00f3pria capacidade para o pecado, a viol\u00eancia ou o \u00f3dio\u201d (AIG, 171-2). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">A for\u00e7a dram\u00e1tica destes textos e experi\u00eancias reflete as consequ\u00eancias que a doutrina da encarna\u00e7\u00e3o teve em sua vida: Assim como Jesus Cristo compartilhou nossa pr\u00f3pria carne humana, Dorothy Day experimenta sua identidade em comunh\u00e3o encarnada com as presas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">O segundo exemplo mostra a radicalidade da cren\u00e7a de Day na encarna\u00e7\u00e3o de Cristo e sua fraternidade com os pobres. Na realidade, o exemplo em si trata apenas de um momento significativo, que deve ser visto em rela\u00e7\u00e3o com o conjunto de uma vida de entrega radical junto aos pobres (se n\u00e3o fosse assim, poderia parecer uma mera piada superficial ou fr\u00edvola). Me refiro ao seu encontro com um leproso, uma situa\u00e7\u00e3o comum na hist\u00f3ria crist\u00e3 (a partir do pr\u00f3prio Jesus de Nazar\u00e9 at\u00e9 S\u00e3o Francisco de Assis, Ign\u00e1cio de Loyola ou Francisco Xavier, muitos crist\u00e3os experimentaram a gra\u00e7a na comunh\u00e3o, o servi\u00e7o e o contacto f\u00edsico com os leprosos e outros exclu\u00eddos e estigmatizados pela sociedade). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Escreve Dorothy: \u201c&#8217;beijei um leproso&#8217; n\u00e3o apenas uma vez mas duas \u2013 conscientemente \u2013 ainda que n\u00e3o possa dizer que seja muito melhor por hav\u00ea-lo feito\u201d (9). A primeira vez, se trata de uma mulher com c\u00e2ncer no rosto que estava mendigando na rua; ao passar, Dorothy tentou beijar sua m\u00e3o. \u201cA \u00fanica coisa que podia fazer era beijar seu rosto sujo e velho no qual s\u00f3 havia buracos onde antes haviam estado seus olhos e seu nariz. Soa como a\u00e7\u00e3o her\u00f3ica, mas n\u00e3o foi\u201d (PP, 79). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">A segunda ocasi\u00e3o ocorreu depois de uma dessas situa\u00e7\u00f5es conflitivas habituais nos contextos de exclus\u00e3o. Por quest\u00f5es que n\u00e3o v\u00eam ao caso agora, Dorothy teve que negar uma cama a uma \u201cprostituta b\u00eabada com uma enorme boca sem dentes, avermelhada, um pesadelo de boca\u201d (PP, 80). Mas, ao faz\u00ea-lo, beijou-a e abra\u00e7ou-a. O que poderia ser uma fria decis\u00e3o burocr\u00e1tica ou t\u00e9cnica, compreens\u00edvel a partir dos par\u00e2metros da interven\u00e7\u00e3o social, converte-se em uma express\u00e3o de fraternidade e comunh\u00e3o, uma oportunidade de encontro pessoal na qual ambas as mulheres se humanizam. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Resumindo, a espiritualidade de Dorothy Day (encontro com Jesus, Corpo de Cristo, sentidos espirituais, viv\u00eancia da encarna\u00e7\u00e3o) se plasmou em um movimento de descenso \u00e0s camadas mais marginalizadas da sociedade, um movimento radical de consequ\u00eancias revolucion\u00e1rias. Parece claro que Dorothy Day soube compreender a complexidade da realidade social e a necessidade de uma resposta igualmente complexa. Estava convencida de que os crist\u00e3os devem sempre manter a proximidade com e da vida entre os pobres, criando alternativas a partir dessa localiza\u00e7\u00e3o social. Tamb\u00e9m sabia que os seguidores de Jesus Cristo, crucificado por sua fidelidade ao Deus dos pobres, est\u00e3o chamados a reproduzir sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as e poderes do mal. E, finalmente, soube que h\u00e1 uma responsabilidade crist\u00e3 a favor do bem comum, que brota dos outros dois elementos, e para a qual podem surgir algumas voca\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\">Na esteira de Dorothy Day e do <i>Catholic Worker<\/i>, as comunidades crist\u00e3s radicais podem ser nosso modo de encarnar o projeto amoroso de Deus em um aut\u00eantico contra-Imp\u00e9rio, o Corpo de Cristo. Somos chamados a viver um caminho de descenso radical de consequ\u00eancias revolucion\u00e1rias, para poder plasmar uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o a partir de baixo. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color:#666666;\"><b>Autor:<\/b> <i>DANIEL IZUZQUIZA<\/i> trabalha como coordenador do Centro \u00abPueblos Unidos\u00bb para o apoio integral \u00e0 fam\u00edlia migrante e vive num bairro madrilenho chamado Ventilla, numa comunidade orientada para a acolhida de imigrantes africanos. Enquanto finalizava seus estudos de teologia nos EUA, teve contato com <i>Catholic Worker<\/i>, visitando quatro comunidades e vivendo durante um tempo em uma delas. Publicou, entre outras obras:<i> Rincones de la ciudad. Orar en el camino fe-justicia<\/i> (2005); <i>Cons-pirar; Enraizados en Jesucristo<\/i>, e, junto com Juan A. Guerrero, <i>Vidas que sobran. Los excluidos de un mundo en quiebra<\/i> (2004). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\"><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\"><b>NOTAS<\/b> <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(1) Dorothy Day, <i>The Long Loneliness<\/i>, p. 39. Introdu\u00e7\u00e3o de\u00a0Robert Coles (New York: Harper Collins, 1997 \/ trad. cast.<i> La larga soledad<\/i>. Santander: Sal Terrae, 2000). Daqui em diante, citamos como LS. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(2) William D. Miller, <i>All is Grace: The Spirituality of Dorothy Day<\/i>, 191 (Garden City, NY: Dobleday &amp; Co., 1987). Esta obra \u00e9, na realidade, uma edi\u00e7\u00e3o de apontamentos espirituais de Dorothy Day. Daqui em diante me referirei a ela, no corpo do texto, com as siglas AIG. Concretamente, esta cita\u00e7\u00e3o prov\u00e9m de uma carta a sua amiga Nina Polcyn, em 8 de dezembro de 1975. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(3) Escreve em suas notas durante um retiro espiritual: \u201cTalvez os hagi\u00f3grafos eram demasiado propensos a revolverem-se nos v\u00f4mitos, no pus, nos escarros (o totalmente repuLSivo), com o objetivo de p\u00f4r o ponto nos is, como diria Peter [Maurin], ou seja, para mostrar como os santos se elevavam sobre o natural, o humano, e chegavam a ser sobrenaturais, sobrehumanos, em seu amor\u201d (AIG, 105). Dorothy n\u00e3o sentiu a necessidade de abandonar a dureza humana, mas encontrou o amor sobrenatural atuando em meio a essa mesma mis\u00e9ria humana. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(4) Dorothy Day, \u201cWhy Do the Members of Christ Tear One Another?\u201d: <i>The Catholic Worker<\/i> (Fevereiro 1942). Consultado em <a href=\"http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday\" target=\"_blank\">http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday<\/a>, doc. # 390. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(5) <i>Ibidem<\/i>. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(6) Dorothy Day, \u201cDorothy Day Writes from Jail\u201d:<i> The Catholic Worker<\/i> (Julho-Agosto 1957). Consultado em <a href=\"http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday\" target=\"_blank\">http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday<\/a>, doc. # 725. Durante um retiro em 1948 escreveu: \u201cA cidade est\u00e1 repleta de ru\u00eddos ultimamente. (\u2026) O ru\u00eddo tem sido uma das coisas que mais me oprime\u201d (AIG, 132). <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(7) Dorothy Day, \u201cOn Pilgrimage\u201d: <i>The Catholic Worker<\/i> (Outubro 1965). Consultado em <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\"><a href=\"http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday\" target=\"_blank\">http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday<\/a>, doc. # 832. Para uma apresenta\u00e7\u00e3o do tema geral \u201ca f\u00e9 e os sentidos\u201d em seus pr\u00f3prios di\u00e1rios espirituais, ver AIG, 65-74. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(8) Dorothy Day, \u201cBread for the Hungry\u201d: <i>The Catholic Worker<\/i> (Setembro 1976). Consultado em <a href=\"http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday\" target=\"_blank\">http:\/\/www.catholicworker.org\/dorothyday<\/a>, doc. # 258. <\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">(9) Dorothy Day, <i>Loaves and Fishes<\/i> (New York: Harper and Row, 1963), 79. Daqui em diante, todas as cita\u00e7\u00f5es deste livro se indicar\u00e3o, no corpo do texto, com as siglas PP. H\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol:<i> Panes y peces. Historia del \u201cCatholic Worker Movement<\/i>\u201d. Santander: Sal Terrae, 2002.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align:justify;\"><i><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-size:xx-small;\">Texto publicado originalmente em vers\u00e3o completa na revista Crstianisme i Just\u00edcia, outubro 2005.\u00a0<\/span><\/i> <\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sauda\u00e7\u00f5es meus queridissimos Crentassos, como a maioria de vcs sabe, temos aqui no nosso humilde blog, uma gaveta chamada &#8220;Eu queria ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[112],"tags":[189,302,448,503,504],"class_list":["post-545","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-anarquismo-cristao","tag-catolicismo","tag-dorothy-day","tag-eu-queria-ser-assim","tag-eua-movimento-operario-catolico"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Eu queria ser assim - #0004 - Dorothy Day - Crentassos Produ\u00e7\u00f5es Subversivas<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Eu queria ser assim - #0004 - Dorothy Day - Crentassos Produ\u00e7\u00f5es Subversivas\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Sauda\u00e7\u00f5es meus queridissimos Crentassos, como a maioria de vcs sabe, temos aqui no nosso humilde blog, uma gaveta chamada &#8220;Eu queria ser [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Crentassos Produ\u00e7\u00f5es Subversivas\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"http:\/\/www.facebook.com\/crentassos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2011-05-12T03:01:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2011-12-26T12:38:37+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"http:\/\/oueleouela.files.wordpress.com\/2011\/05\/dorothyday1.jpg?w=240\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Crentassos\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@crentassos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@crentassos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Crentassos\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"26 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html\"},\"author\":{\"name\":\"Crentassos\",\"@id\":\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/c143e75f920e3ad15d83540f47db500c\"},\"headline\":\"Eu queria ser assim &#8211; #0004 &#8211; Dorothy Day\",\"datePublished\":\"2011-05-12T03:01:00+00:00\",\"dateModified\":\"2011-12-26T12:38:37+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html\"},\"wordCount\":5197,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/crentassos.com.br\/blog\/2011\/05\/eu-queria-ser-assim-0004-dorothy-day.html#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\/\/oueleouela.files.wordpress.com\/2011\/05\/dorothyday1.jpg?w=240\",\"keywords\":[\"anarquismo crist\u00e3o\",\"catolicismo\",\"Dorothy Day\",\"eu queria ser assim\",\"EUA. 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