Teologia de Boteco | Intolerância religiosa II com Parolim e Puncha – #055

Salve salve, classe trabalhadora… Sexta feira é dia de que? Exatamente, dia de boteco…

Hoje, eu chamei o menino Parolim e o grande Puncha para conversar mais um pouco sobre INTOLERÂNCIA RELIGIOSA (a primeira vez está aqui, e foi com o Milhoranza e o André, no longínquo anos de 2015) e como eles, um da umbanda e outro muçulmano, encaram essa ferida exposta na sociedade brasileira e no mundo.

 

Alem disso, nós estamos apoiando a campanha

campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres,  uma mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atoes da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento. Desde sua primeira edição, em 1991, já conquistou a adesão de cerca de 160 países. Nacionalmente, tem início dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, mundialmente, se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro.

Neste sentido, o Olhares Podcast criou a ação representada pela hashtag #ativismonaweb, que será divulgada durante a campanha e dezenas de podcasts, youtubers e canais do Facebook e Instagram participarão, com o objetivo de sensibilizar, conscientizar e mobilizar a internet a respeito da violência sofrida pelas mulheres.
Imaginem quantas pessoas podemos alcançar em 16 dias de ativismo com uma hashtag? #AtivismoNaWeb  #16dias #ViolênciaContraMulher, #ViolenciaDeGenero #NovembroLaranja 

Teologia de Boteco 55 Intolerancia Religiosa II

Puxe um banco e manda descer uma cerveja… Ah, sim, e se a sua religião não permite bebidas alcoólicas, não se preocupe, aqui nesse boteco, tem lugar para todo mundo

OBS.: O Áudio está ruim em alguns momentos, pois a instabilidade da internet no dia da gravação estava realmente terrível

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  • Foi meu primeiro Teologia de Boteco e já digo que estou apaixonada! Fiquei com paz no coração em ouvir 3 religiões falando harmoniosamente sobre a lei maior de todas as religiões: o amor. Parabéns!

  • Obrigado, querida 🙂

  • Oi a todos,

    Muito legal o episódio, é ótimo um ambiente de discussão e compartilhamento inter-religioso de forma tão bonita.

    Queria comentar umas coisinhas:

    1) Um aspecto bem interessante da Umbanda que é a primeira religião brasileira mesmo. Quando o Zélio aparece, o Candomblé, o Tambor de Crioula, o Catimbó, entre outros, remontam a África, sendo muitíssimo antigas; já havia Espiritismo kardecista desde em torno de 1862; as vertentes católicas, desde franciscanismo, jesuitismo, uma mística católica portuguesa; a presença de escravos muçulmanos; alguns elementos de protestantismo chegando…
    Com a terreiro aberto pelo Zélio, têm-se uma religião brasileira que une práticas muito diversas e amplas. Quando ele saiu da Federação Espírita de Niterói, junto com um pessoal, inicialmente o terreiro não tinha tambor, funcionava em um esquema de mesa branca, mas logo foi aparecendo. Quem na época, principalmente do povo mais em geral, conhecia a existência de escravos muçulmanos no Brasil, enquanto o o Caboclo das 7 Encruzilhadas apresentou um Malê…
    É muito bonito quanto certas entidades da Umbanda chegam a encaminhar a pessoa a outras religiões, é algo muito bonito e exemplar em termos de respeito religioso.

    2) O Puncha é muito gente boa mesmo. Gosto muito de ler poetas muçulmanos, sempre muito lindo.

    3) A coisa do reconhecimento da Umbanda demorou pelo seguinte: Na Primeira República houve uma briga grande por estado laico, encabeçado por espíritas, maçons, positivistas e ateus; contudo, logo começou uma fortíssima perseguição religiosa. Mário de Andrade, por exemplo, recolheu muito material de cultos afro-brasileiros, ele foi um musicólogo importantíssimo, porque para tentar conservar o que estava sendo destruído por ordens oficiais.
    Nesse contexto, os kardecistas eram muito organizados, por motivos de sobrevivência, aí os que eram advogados e militares brigavam pelo respeito as religiões, como figuras de poder à época – até hoje há associação de magistrados espíritas e centros militares por causa desse contexto. Nessa, chegaram ao presidente da FEB (Federação Espírita Brasileira) e perguntou se o pessoal da Umbanda, Candomblé e tal, eram tipo de espíritas, ou se podia bater neles, usando o português bem claro. Ele escreveu artigos e defendeu que toda religião que utilizasse a mediunidade eram um tipo de espiritismo, o que evitou algumas situações e daí fez com que parte dos umbandistas utilizavam o termo terreiro espírita e tal. Isso atrapalhou o reconhecimento da Umbanda como religião, o Candomblé só conseguiu lá pelos 70. É aquela coisa: no calor do momento, tentar ajudar o pessoal a não apanhar foi mais importante que os conceitos. Não necessariamente todos os espíritas agiram dessa forma…

    4) Só queria comentar também que a coisa dos Orixás, defende muito de cada linha. No Candomblé, os orixás são deuses mesmo. Não é uma crítica, é só comentar que tem outras leituras do mesmo fenômeno.

    5) Acho bem bonito a disciplina dos muçulmanos com a prece.

    6) E o Crentassos me ajuda a não ficar com preconceito com protestantes em geral graças a ações de alguns políticos que usam esse rótulo só como outra forma de chamar atenção a si.

    7) O ponto de ao final vermos que entre pessoas de diferentes formas de vivenciar o fenômeno religiosos, e mesmo que não o vivencia como ateus, ao final todos somos muito próximos no mais essencial, trazendo a minha experiência religiosa, a lição mais bonita dos textos de Kardec é enfatizar com a seguinte frase: “Fora da caridade não há salvação, e não fora do espiritismo, da igreja, e por aí vai”. O conceito de salvação no caso é mais uma aproximação com a mentalidade católica aos leitores, mas o essencial é isso: o que importa é como se vive, e não qual religião ou falta dê.

    8) Eu já tive oportunidade de dar palestra em terreiro de Umbanda. Foi antes do trabalho começar e aí depois tive a oportunidade de uma entidade me explicar todo o funcionamento do trabalho, foi uma oportunidade maravilhosa.

    Muito legal o episódio!

    Tudo de bom a todos!

    Tiago de Lima Castro

  • Érico Nassu

    Ouvindo esse podcast eu fico pensando se seria possível um diálogo tão tranquilo como esse com certos representantes ditos cristãos. Fico na dúvida se conseguiria me identificar com certas correntes evangélicas tanto quanto me identifiquei com o Puncha e o Parolim. O questionamento que fica na minha cabeça é: Então quem é meu irmão? Se meu irmão é aquele que faz a vontade de Deus e não alguém que simplesmente frequenta a mesma reunião ou local sagrado que eu, será que posso considerar irmão alguém com uma percepção do divino diferente da minha mas que em última instância tem como objetivo final da sua fé a mesma coisa que eu?

  • Raphael Bueno

    Mais um programa de muita qualidade!
    Parabéns por manterem um diálogo de altíssimo nível, mostrando como deveria funcionar o respeito e a fraternidade entre todos os cidadãos do nosso Brasilzão véio de guerra!
    Aguardo pelos dias em que intolerância religiosa seja visto com tanta ojeriza e que seja um tema tão defasado quanto a escravidão é (mesmo que alguns ainda apoiem, indiretamente).
    Um abraço!

  • Tia do Bátima

    Que pograma excelente!

    Arrumei um tempinho aqui só pra dizer isso mesmo. A semana está uma doideira, mas me senti na obrigação moral de dizer o quanto gostei do programa. Pra mim realiza claramente o que entendo como diálogo interreligioso: quando cada um de fato se entende e entende a própria crença de modo a poder encontrar não só diferenças que afastem indivíduos e sistemas de crença, mas também, e de forma muito mais contundente, as semelhanças que aproximam essas crenças.

    No fim das contas, se a gente estiver disposto a construir junto uma ética que valorize a vida como ela é, a gente, como ser humano, consegue.

    Vou voltar pras tretas aqui, que tem professor visitante aqui essa semana e precisa dar atenção pra ele.

  • Vir para o trabalho ouvindo esse programa fez meu dia começar melhor, obrigado 😉

  • como diz o GRANDE Frei Smaley (@sm4l3y )

    Importante mesmo é nos concentrarmos naquilo que nos une, e vamos perceber que pouca coisa nos afasta

  • cara, a ANOS eu já não considero a fé cristã como uma tabela de comparecimentos em reuniões publicas… Poderiamos dizer, claro, que temos diferenças teologicas com o Puncha e com o Parola, contudo, há algo que nos una mais do que a humanidade? Não é, antes que algun ortodoxo me acuse, um discurso relativista, não mesmo… Eu continuo discordando de pontos da fé de cada um deles, mas pelo menos daqui, do ponto de vista da minha leitura biblica, nada é superior à AMAR A DEUS e aMAR O PRÓXIMO, e com certeza é reciproco, com esses dois figuras aqui 🙂

  • <3 ler seu comentário, fez o meu dia melhor <3

  • amem, aguardamos juntos… alias, não aguardamos, LUTAMOS POR ISSO, juntos!

  • tem alguma coisa que eu possa falar depois de um comentáriozão desses?

    Valeu, Tiago, vc é um cara impar, mano 🙂

  • Felipe Souza

    Que Allah retribua sua bondade por esse comentário.
    O clima que pega no Teologia de Boteco me parece ser bem esse: amizade, união, tudo em prol de nos aperfeiçoarmos mutuamente. ^^

  • Felipe Souza

    “Para além dos campos do certo e do errado, existe um lugar. Estarei ali te esperando.” (Rumi)

    O amor ultrapassa toda e qualquer divisão mesmo. De Allah viemos, para Allah voltaremos: que nesse retorno eu não dê motivos a você nem a ninguém de se queixar; pelo contrário, que tenhamos só bons relatos uns dos outros. 🙂

  • Felipe Souza

    Paz, Raphael.
    Esperamos todos isso, que não haja mais divisão e preconceito, mas união e que, irmanados, possamos construir uma sociedade e uma religiosidade melhor.

  • Felipe Souza

    Paz, Érico.
    Você me fez lembrar da filosofia perene, a que a afirma a “unidade transcendente das religiões”. A divisão e distinção é terrena, nosso objetivo é o mesmo: agradar aO Criador e fazer a Sua Vontade. E cremos que isso perpassa ajudar o próximo e praticar o amor. Que Allah nos fortaleça nessa senda. ^^

  • Érico Nassu

    É isso aí mano. Fico muito feliz em poder enxergar isso. Como um cristão que tem vivido fora da igreja institucional eu tenho tido contato com muitas pessoas feridas e desanimadas em sua fé principalmente, na minha percepção, por se fecharem para essa tolerância à diversidade. Frequentemente muitos daqueles dizem professar a mesma fé se mostram incoerentes em suas atitudes. Como todos aqueles que tem confissões de fé diferentes já foram demonizados a pessoa acaba ficando com um sentimento de total desesperança na humanidade inteira. Eu confesso que já tive momentos de desânimo dessa natureza e percebo que o que mais me ajuda na recuperação da esperança e da fé é justamente quebrar o meu preconceito e intolerância para estar livre para ver a humanidade onde ela floresça pois “quem ama é nascido de Deus”. Um grande abraço!