Ampulheta | Meu amigo onipresente com Giancarlo Marx – #13

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Meu nome é Giancarlo Marx e hoje vou falar sobre o tema Meu amigo Onipotente.

De todos os milagres incríveis que a bíblia relata o que mais me impressiona é aquele descrito em Filipenses 2:5 a 11. Que diz assim:

Tenham a mesma atitude demonstrada por Cristo Jesus. Embora sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus fosse algo a que devesse se apegar. Em vez disso, esvaziou a si mesmo; assumiu a posição de escravo e nasceu como ser humano. Quando veio em forma humana, humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o elevou ao lugar de mais alta honra e lhe deu o nome que está acima de todos os nomes, para que, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua declare que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai.

Dá pra imaginar que Jesus desceu de sua condição de glória, considerando mais importante tornar-se como um de nós? Imagina a distância, o abismo que representa pro próprio verbo de Deus tornar-se um verme como eu. E pior ainda, não contente, ele se esvaziou ainda mais, e tornou-se o servo dos vermes. E morreu por eles.

Sério, mesmo que eu descesse à condição de um verme (literalmente), ainda estaria a uma distância infinita do caminho que Jesus trilhou pra tornar-se como eu. Ele é a exata expressão do Pai. Por meio dele foram criadas todas as coisas, e sem ele nada teria sido feito, como narra o início do evangelho de João. Agora imagine esse ser todo poderoso se transformando em um feto. E depois em um bebê nos braços de um casal jovem e inexperiente.

Quando minha filha Isabelle era pequena ela gostava particularmente dessa passagem. Eu resumia pra ela da seguinte forma: “O mesmo Deus, que criou todos os planetas e as estrelas, os animais e as montanhas, decidiu virar um bebezinho. Sujar a fralda e mamar no peito da mamãe”. Minha filha adorava. De vez em quando me pedia pra explicar pra novamente a história do Deus bebezinho. Por quê? Porque ela se identificava com ele! Parecia bem mais próximo de sua realidade. Deus escolheu ser como ela.

Esta compreensão é capaz de nos dar clareza do valor que Deus deu ao seu relacionamento conosco. Mas ela poderia até passar por uma história linda porém vazia de sentido prático se não fosse o início do verso 5 que afirma: Tenham a mesma atitude demonstrada por Cristo Jesus.

Cada vez que leio isso minha mente repassa meus últimos dias. Como é que eu me relacionei com meus colegas de trabalho? Minha esposa e minha filha? Meus pais, meus vizinhos, meus amigos e parentes? Como é que eu respondi aquele comentário no facebook?

Quando fui abordado por alguém pedindo esmolas na rua, será que fui capaz de esvaziar-me? Será que me despi da capa de eleito de Deus? Abdiquei do status de publicitário, de teólogo ou do que quer que seja, pra me relacionar com aquela pessoa de igual para igual? Consegui sentir a dor dele?

O apóstolo Paulo escreveu uma vez que o valor de tudo que eu faço só pode ser medido no amor. E que sem amor, até mesmo as coisas mais custosas, não valem nada. Não passam de um barulho sem sentido.

Quando o que me leva a fazer o bem é uma simples crise de consciência, o outro pode até se beneficiar disso, mas eu ainda não. Assim como o sino que toca por um tempo, o pão aplaca a fome momentaneamente. O brinquedo comprado no caminho pra casa vai perder seu valor logo. As flores murcham.

Nada disso se compara ao esvaziar-se. Ao importar-se sinceramente. Ao envolver-se com a realidade do outro, se colocando na mesma condição dele. E ainda que meu próximo seja o pior ser humano do universo, posso me sentar ao lado dele e abraçá-lo. Como um igual. Isso não vai representar nem a mínima fração o caminho que Jesus percorreu pra se tornar igual a mim.

E aí? Bora esvaziar? Forte abraço e até a próxima.

 

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  • Samuel Kosoba

    O mais difícil é conceber um Deus onipotente e pessoal ao mesmo tempo. O mais impressionante é saber que o Deus oniparente para pra ouvir minha lamentações, justo um verme como eu.

  • Giancarlo Marx

    Boa, Samuca! É isso mesmo. Teu comentário me lembrou aquela música do Palavrantiga que diz: “Tu és meu Deus, teu nome é grande! Tu és eterno, mas não distante…”
    Valeu pela ajuda com os temas, mano! É nóis!

  • Samuel Kosoba

    Tamo junto!