Apóstolo Bom é Apóstolo Morto

Apóstolos? Só os do passado

Calma, não estou pregando violência nenhuma, nem mandando matar ninguém. Leia o texto abaixo e entenda o porque do título.

Ultimamente somos bombardeados por notícias de pastores que parecem que “subiram de cargo” na hierarquia cristã e já se colocam como apóstolos, ou seja, pessoas que dizem receber instruções pessoalmente do próprio Jesus, enquanto nós, pobres mortais, temos as intruções do próprio Jesus através da Bíblia. Esses tempos aconteceu uma “conferência apostólica” aqui em São Paulo, com Estevam Hernandes e o Renê Terra Nova, que se auto-proclamam apóstolos e são os mais damosos, talvez, no Brasil, e de vez em quando esse tema vem à tona (geralmente por escândalos de megalomania, excentricidade ou corrupção envolvendo o nome desses “apóstolos”), por isso achei pertinente ressuscitar e atualizar esse post para falar desse assunto. Será que realmente Jesus não quer mais que creiamos apenas em Sua Palavra e está nomeando novos apóstolos para nos guiar em nossa caminhada cristã? Vou postar o que concluí sobre o assunto:

Eu vejo que o lance todo do título de “apóstolo” se refere mais ao tipo de “governo” que o líder de uma seita denominação quer que sua seita denominação siga. Baseando-se na mesma interpretação errônea que a Igreja Católica tem do termo e da responsabilidade de um apóstolo, esses líderes religiosos neopentecostais se apropriam do termo “apóstolo” para implementar uma extremização do modelo eclesiástico episcopal, onde também são nomeados bispos nesse modelo, porém sem nenhuma característica democrática ou comunitária que o episcopalismo histórico possui, ficando a pessoa do “apóstolo” como sendo a autoridade absoluta, não só em nomeação de “bispos”, “pastores” e outros colaboradores, como também sendo esse “apóstolo” a autoridade suprema em qualquer assunto eclesiástico, assumindo ele um papel como “mediador entre Deus e os homens”, ou “o represante de Cristo na Terra” com maiores atribuições e poderes que o cristão “comum”. Isso vai totalmente contra os pilares protestantes do Solus Christus e da nossa doutrina fundamental protestante do sacerdócio universal dos cristãos, por isso igrejas com apóstolos não podem ser acertadamente consideradas protestantes.

A palavra “apóstolo” significa “enviado”, nesse sentido, todo cristão é um “apóstolo”, pois a grande comissão é para todos (Mateus 28:19). Mas, no começo da Igreja cristã, esse título era dado somente a alguns, que tinham sido enviados pelo próprio Jesus para fundar Sua Igreja e que possuiam certas credenciais que a Bíblia nos mostra. Depois da morte desses apóstolos, esse título não foi mais usado na Igreja, até que, séculos depois, o bispo de Roma se auto atribuiu tal função e credenciais, mas preferiu o título de Papa, ao invés de “apóstolo”, sendo usado até hoje pelo bispo de Roma na Igreja católica, porém exisitindo em conjunto a crença de que tal bispo, o papa, acumula a função de apóstolo e sucessor dos originalmente “enviados” por Jesus, assim como crêem os neopentecostais “apostólicos”.

A Bíblia nos dá algumas credenciais para que alguém possa ser nomeado como apóstolo. A 1º Credencial: Ter visto o Senhor pessoalmente, não apenas em “visões”, ou “sonhos”. Vejam:

 

I Cor 15: 7 Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos.
8 E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo.

O capítulo não trata sobre a credencial de apóstolo e sim sobre ressurreição, mas, nas duas cartas aos Coríntios, Paulo defende seu ministério apostólico. Aqui ele alfineta mais uma vez os que diziam que ele não era apóstolo (A Igreja de Corinto era meio “Neopentecostal” e contestava o ministério de Paulo porque ele era pobre, tinha enfermidades e “falava demais”) e confirma sua argumentação que comprova seu ministério apostólico.

Paulo usa o termo “abortivo”, querendo dizer que ele se sentia o menor, por ser o último dos Apóstolos. Essa palavra não deixa dúvidas para os que se submetem ao bom senso e à obediência das Escrituras de que Paulo foi o último dos apóstolos.

De acordo com a primeira credencial, o apóstolo deve ver, ter contato, fisicamente, materialmente, com o Senhor Jesus. Jesus cumpriu seu ministério há quase dois mil anos e apareceu a Paulo como um abortivo, depois de ter cumprido seu ministério. Os apóstolos escolheram Matias para ser o substituto de Judas, que morreu dias após trair o Senhor, no ministério de propagação apostólica do Cristianismo, naquela época, mas Deus aparentemente rejeitou Matias, pois não o menciona mais em Suas Escrituras, e escolheu a Paulo como seu apóstolo.

A não ser que os apóstolos de hoje tenham cerca de 2000 anos de idade e tenham visto fisicamente o Senhor Jesus, eles estão DESCREDENCIADOS como apóstolos e não podem ser chamados como tal.

Outro argumento contra o apostolado moderno está no fato que a Bíblia conta da fundação da Igreja. Historicamente, Deus começou a fundação de Sua Igreja através dos profetas, que deram a profecia e a revelação da vinda do Messias, que seria o homem perfeito e daria o exemplo a seguir, que imputaria outros zambujeiros na árvore principal (Rom 11). Esse Messias estenderia a promessa de eleição e justificação para outros povos, além dos judeus, e transformaria a todos num só povo, submisso ao Seu nome (Mat 21:43). Sendo assim, não estaríamos mais debaixo da “Lei cerimonial”, portanto não precisamos cumprir com rituais da Torah ou outros rituais judaicos. Temos apenas dois rituais mandatórios no Cristianismo, que são a Santa Ceia e o Batismo. Esses apóstolos fraudulentos de hoje são legalistas e querem imitar os costumes do que eles acham que são dos judeus, negando a Nova Aliança de salvação que nos isenta da Lei cerimonial e negam a salvação pela graça por meio da fé (Efésios 2:8-10). A salvação sempre foi pela fé, mas havia uma lei que caracterizava nacionalmente o povo de Deus. Hoje esse povo é global e nossa característica é santidade (Heb 12:14), não mais rituais, simbolismos, vestimentas e outras coisas que os falsos apóstolos de hoje insistem em querer impôr aos seus seguidores. Não dá para levá-los a sério..

Ainda na História, a Bíblia fala que o outro fundamento (os outros fundadores) da Igreja são os apóstolos, que Jesus usou para fundar Sua Igreja (I Cor 12:28/ Ef 4:11), junto com outros trabalhadores que foram de igual importância. A Igreja já foi fundada, não há mais necessidade de “apóstolos”!!!

Jesus disse que quem quiser ser o maior no Reino dos céus, tem que ser o menor, por que então essa “neura” sobre títulos eclesiásticos que dêem “superioridade”???

Aquela mulher humilde, que nunca teve estudo ou oportunidade terrena, mas se apega diariamente em oração, suplicando com choros, humilhações, rogos e dores pelos seus filhos, pelos seus vizinhos, por sua Igreja, pelos perdidos, pelos missionários e mantém o hábito de orar sem cessar, provavelmente será muito mais recompensada pelo Senhor do que por nós que achamos que estar no front é “tudo de bão”, o “supra-sumo” de ser um cristão.

Essa outra credencial para ser chamado de Apóstolo implica nos sinais e na paciência do apóstolo em fundar a Igreja (A Igreja já está fundada e sobrevive há quase 2 mil anos, então não há mais necessidade de apóstolos). Veja o que a Bíblia diz:
I Cor 12:
12 Os sinais (A Credencial) do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas.

O apóstolo deveria provar as obras de Jesus, segundo o que testemunharam, fazendo as mesmas coisas, de uma maneira concentrada. Foi isso que ocorreu, mas não ocorre mais nos dias de hoje (I Cor 13:8, 10).
Deus faz milagres, Deus cura, Deus promove seus sinais, mas os distribuiu a toda a Igreja, não para provar alguma coisa, pois o Espírito Santo convence o homem que é pecador e precisa se tornar um cristão para ter contato com o Criador e com o Salvador (João 16: 7-10).. Os milagres aconteciam em maior escala “per capita” de cristãos na época, pois o número de cristãos era menor, a Igreja estava no seu início, e Deus quis usar os apóstolos com tantos sinais.. Hoje usa toda a Sua Igreja, em escala necessária segundo Seus planos (e não para dar showzinho na TV), segundo Seu beneplácito (sua vontade própria).

Outra coisa, a Bíblia fala de “apóstolos fradulentos” (como esses aí da lista, que coincidência, não? Hehehe). A Bíblia diz que eles são muito parecidos com os originais, e enganam muito bem. A Palavra de Deus nos alerta a tomar cuidado com esses lobos (II Cor 11:13).
Se estudarmos um pouco mais sobre a história da Igreja, veremos as tentativas de “ressucitar” o ministério apostólico. Veremos também o quanto essas tentativas foram hereges e desastrosas, como são hoje. Na Idade Média, o papado começou a dizer que os Papas eram a continuação do ministério apostólico, segundo eles, confiado a Pedro. Até hoje os papas se auto-intitulam apóstolos, segundo a ordem de Pedro. Ainda mais, se dizem a mediação entre Deus e os homens (como também deixam a entender os apóstolos pentecostais de hoje)

Deus condenou uma dessas tentativas para nos deixar como exemplo que NINGUÉM pode se “auto-ordenar” apóstolo. Vocês já leram Apocalipse 2:6 e 2:15? Perceberam o ÓDIO de Deus contra as obras dos nicolaítas? Já se perguntaram quem foram os nicolaítas?

A teoria mais aceita é a de Irineu, um pai da Igreja que ajudou a escrever a História da Igreja primitiva e contava que esses nicolaítas eram seguidores de Nicolau, que foi ordenado diácono junto com Estevão (Atos 6:5), que se auto-proclamou apóstolo e dizia ser “autoridade espiritual”(familiar esse conceito, não?) sobre a vida dos seus seguidores. Esses hereges constituiam grupos e colocavam “líderes” que dominavam irrestritamente sobre eles (Não lembra G12, M12, R12 e afins?). Deus aqui mostra que odeia o conceito de “superioridade” espiritual, ou hierárquica de um indivíduo sobre outro em Sua Igreja, mas devemos, como Igreja, prezar pela unidade e união de princípios (ai como eu queria que os seguidores do G12, Renascer e M12 estudassem história..). Lutamos todos do mesmo lado, como Igreja e não devemos permitir “elites”, “autoridades espirituais”, “apóstolos” e outros.. Deus condenou a obra de Nicolau de se auto-proclamar apóstolo aqui nessa passagem de apocalipse, segundo Irineu.

Outra explicação sobre os nicolaítas é tem a ver com a tradução possível dessa palavra: nikh = vitória (no sentido de dominar) – Laos= …o povo peculiar (de Israel ou Cristãos); gente, multidão;…do Século IV em diante, às vezes se refere ao leigo (conforme o grego moderno “laikos”= leigo, no sentido de povo comum)
Portanto, o nome Nikolaitwn (nicolaítas) composto destas duas palavras tem o sentido de “vitória sobre o povo” ou “os que dominam o povo”.
Esta era uma heresia que se formava já no fim da era apostólica, com os falsos mestres deturpando a Pureza da Doutrina de Cristo e seus Apóstolos. A doutrina nicolaíta concebeu a idéia de uma casta especial e superior na Igreja, ou seja, o chamado Clero. Indo além, formou-se a idéia de uma hierarquia eclesiástica dentro deste mesmo clero. Há uma grande probabilidade, lógica e historicamente, de que estes nicolaítas, dos quais muito pouco se sabe, sejam os formadores do pensamento Católico Romano e, portanto, seus antecessores.

Eles estavam, no final do séc. I, infiltrados nas igrejas de Cristo como podemos ver no texto base. Evidentemente, este desejo de EXERCER PODER SOBRE O POVO, disseminou entre muitos homens de liderança nas igrejas, movidos pelo instinto carnal de DOMÍNIO, pela soberba e pela torpe ganância de posição e riquezas. Especialmente entre os pastores das grandes igrejas, nos grandes centros, com congregações numerosas, tornava-se uma tentação estabelecer uma ostentação de poder sobre o rebanho e outros pastores de rebanhos menores. Eis o porque de estabelecer-se o “centro da igreja” e o “trono do Papa”, como o maioral e chefe máximo do Catolicismo em Roma. Sendo ela a capital e maior centro urbano de sua época, Roma permitia a que seus pastores nutrissem uma imagem de mais poderosos e importantes que os demais.

É claro que, com o apoio de Constantino (no começo do séc. IV) definitivamente o Bispo de Roma conquistou esta supremacia. Não fora o Nicolaísmo, não existiria o erro de uma IGREJA UNIVERSAL, com sede em algum lugar. Nem mesmo a primeira Igreja, formada por Jesus pessoalmente, em Jerusalém, tinha autoridade sobre as demais.

Veja em Atos 15, a postura da Igreja de Jerusalém com relação a Antioquia, como mãe que exorta a seu filho INDEPENDENTE num momento de necessidade, mas não considera justo lhe impor nada. Observe-se, ainda, o próprio falar dos Apóstolos Pedro e Tiago (que estavam em Jerusalém e não em Roma), como não exercem eles domínio sobre a Igreja, mas servem como conselheiros junto a Ela e com o Espírito Santo (vv.23,25 e 28). ( Fonte Pr. Waldir Ferro – www.obreiroaprovado.com )

Em resumo, qualquer que seja o significado de nicolaítas, que Deus odiava as obras deles, que eram exatamente as mesmas desses apóstolos de hoje.

Portanto, esses obreiros fraudulentos que se auto-denominam “apóstolos “ podem ser tudo, menos homens de Deus, mesmo que a intenção deles seja nobre e muito boa, estão no erro e disseminando heresias. Sendo assim, os únicos apóstolos em que devemos confiar e acreditar são aqueles que já morreram, que fundaram a Igreja. Apóstolo bom é apóstolo que já morreu há quase 2 mil anos atrás. Os de hoje são fraude destes e não merecem crédito. Que Deus abra os olhos deles (Ele abriu os meus, por isso hoje testifico contra isso, pois já acreditei..) e de seus seguidores antes que seja tarde demais e que tenha misericórdia deles e de nós também. Amém.

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  • Eduardo Cavalcanti

    Muito bom Surian.

  • Jamal

    Já vinha pensando nisso algum tempo, e o mais engraçado que de repente, brotou apostolos por todos os lados.

    Como diria Napoleão Bonaparte: “Homens amam títulos”.