Sobre o autor
Teólogo de segunda, blogueiro e podcaster! Ouça o BTCast, onde a teologia é sem rodeios!
No filmaSSo O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010), acompanhamos Eli (Denzel Washington), uma homem que a 30 invernos caminha em direção ao Oeste carregando e protegendo um livro. O filme não entra em detalhes sobre o que aconteceu com a terra que está diante dos nossos olhos. O que vemos é um mundo pós-apocalíptico, destruído por uma guerra (parabéns para a fotografia).
Num mundo sem regras e sem lei, Eli viaja com o livro porque ouviu uma voz, que o orientou a rumar para onde o sol se põe. Eli é da paz, mas ai de quem se meter em seu caminho. E para gerar um pouco de boas cenas ação, alguns se metem (a luta no bar é uma das melhores que já).
O vilão dessa história é Carnegie (Gary Oldman), o chefe de um vilarejo bem interessante, que há tempos caça um livro, que segundo a sua crença, possui palavras poderosas, que podem torná-lo um grande líder e dominador. Bem, não é difícil imaginar que o livro que o bandido quer é o livro que o mocinho carrega.
O filme é bom, tem um final decente e você não fica com aquela sensação: Perdi 2 horas da minha vida. Vale a pena reunir a turma e curtir O Livro de Eli.
Abaixo, compartilho umas reflexões. SPOILER A FRENTE
Não quero discutir se Eli era cego ou não, se era, caramba, o cara tinha uma mira fora do sério. Mas pode ser que fosse mesmo, visto ele ser uma espécie de messias, pois carrega a palavra da salvação. Sem contar que sobrevive a um tiro a queima roupa, então era possível ser cego e fazer tudo aquilo, ou não.
O que me chamou a atenção é que nesse futuro caótico as Bíblias foram destruídas, exceto a que Eli carrega e protege. Não sabemos se a Bíblia foi a causa dessa grande guerra, só sabemos que ela foi destruída porque suas palavras são poderosas e nela consta preciosas orientações para humanidade.
Destruir a Bíblia foi um meio de privar o povo do conhecimento da verdade. Verdade essa que pode ser usada com motivações erradas. O vilão do filme queria usá-la para legitimar a opressão sobre outros povos, parece que já vi isso em algum lugar…
É interessante perceber que essa história de ocultar a Bíblia do povo ou utilizá-la para fins opressivos não é nova na história, aconteceu na Idade Média, por exemplo, e está acontecendo em nossos dias. Só que vivemos o contrário do que é apresentado no filme. Hoje temos centenas de traduções, versões, modalidades, Bíblia da mulher que ora, da que não ora, de Genebra, de gengibre, etc. E mesmo com tudo isso, a obscuridade bíblica é incrível. A palavra de Deus está tão marginalizada em nossos cultos e vivência comunitária e sendo empregada para legitimar discursos contrários ao evangelho de Jesus.
Não preciso ficar falando da importância da Bíblia na vida da igreja. Só posso lembrar que:
- pessoas perderam a própria vida protegendo-a;
- foi a maneira que Deus escolheu para preservar suas orientações;
- a genuína fé só vem por meio dela;
- vida cristã sem espiritualidade embasada na palavra não passa de fogo de palha;
- sem conhecê-la, você engole qualquer baboseira que alguém diz e acha que aprendeu algo bíblico.
Enfim, vamos voltar um pouco mais nossa atenção para as Escrituras!
PS – o filme permite outros olhares, como por exemplo o compromisso que Eli tinha em proteger essa palavra e como a conhecia, tanto que a recitou toda no final do filme. Que tal você compartilhar sua impressão? Fique a vontade, os comentários são todos seus!
Muito bom o filme e também o texto.
Obrigado Deus pq podemos ter, ler e andar com nossa Biblia.
Valeu Unijovem, volte sempre!
Já vi esse filme. Muito bom!
www.curiosobiblico.blogspot.com
Pingback : Profetilinks - #101
Assisti o filme pela segunda vez hoje (e cai no seu blog pesquisando se "Eli era cego mesmo?", hahaha).
Gostei muito do filme.
O que me chamou a atenção foi o envolvimento do Eli (supostamente um cristão) em atos violentos. Talvez no filme essa violência seja um pouco extrema, mas que faria sentido diante da situação de Eli, que era uma situação extrema. Mas eu me pergunto, onde fica o "dar a outra face" nesse caso? Questão complexa...